Tradução livre e espontânea do:
O SUTRA DO INDESTRUTÍVEL COM EXCERTOS DO
COMENTÁRIO PELO VENERÁVEL MESTRE HSÜAN HUA. UMA NOVA TRADUÇÃO. SOCIEDADE DE
TRADUÇÃO DE TEXTOS BUDISTAS.
Esta tradução não tem interesses comerciais e tem a finalidade de Estudos e Aprofundamento sobre a prática da tradução.
Texto original disponível em: http://www.weebly.com/uploads/6/3/3/1/6331706/surangama_new_translation.pdf
INTRODUÇÃO
1.
Revisão Geral
Por quase
1000 anos, o Surangama Sutra – o “Sutra do Indestrutível”[1]
– foi mantido em grande estima pelos países budistas da tradução Mahayana do
leste e sudoeste da Ásia. Na China, o sutra foi geralmente considerado
importante e foi tão popular como o Sutra de Lótus, o Avatamsaka Sutra, o
Mahayana Mahaparinirvana Sutra, o Sutra Coração e o Sutra Diamante. O
aparecimento do Sutra Surangama
aproxima-se do escopo destes ensinamentos, na profundidade e clareza de suas
prescrições para a prática contemplativa. Por causa da riqueza de suas
instruções teóricas e práticas na vida spiritual, ele foi frequentemente o
primeiro e maior texto a ser estudado por monges recém ordenados,
particularmente na escola Chan. Muitos mestres iluminados e notórios estudiosos
monásticos escreveram comentários exegéticos sobre ele. Até os dias atuais,
para as tradições budistas chinesas, o Surangama
Sutra continua a ser objeto de devoto estudo , recitação e memorização.
Mais
especificamente, o Sutra Surangama
foi aferido tradicionalmente como um manual completo e prático para a prática espiritual
que pode levar eventualmente para a iluminação. Ele provê instruções para o
correto entendimento da natureza búdica, que é o potencial para todos os seres
sencientes se tornarem um Buda. O Sutra explica como e por quê a natureza real
é escondida em nossa experiência ordinária de sermos nós mesmos e no nosso
mundo, e mostra como podemos descobrir esta natureza e reconhecê-la que ela
reside em nossa própria mente. O Sutra explica, igualmente, que a conduta
pessoal íntegra e pura são pré-requisitos essenciais para o despertar espiritual.
Ele apresenta os princípios gerais para a meditação Budista, introduz muitos
métodos de meditação e recomenda quais métodos são os mais efetivos e quais são
os mais fáceis de praticar. Adiante, uma considerável porção do Sutra é
dedicada para diretrizes sobre como discernir quais entendimentos e práticas
são corretas e quais são desviaram em práticas incorretas. O sutra explica como
nossos próprios atos intencionais – sejam físicos, verbais ou mentais –
resultam diretamente em nossas experiências, incluindo em nossos renascimentos
futuros em vários níveis de existência, ambos humanos ou não humanos. O Sutra
mostra como a correta ação pode levar para despertares iniciais e eventualmente
para a perfeita iluminação dos Budas.
Muito do
Sutra é dedicado para a instrução de buda Shakyamuni, para o discípulo Ananda,
cuja história pessoal fornece o quadro da narrativa para o discurso. Ao lado de
muitos de seus iluminados discípulos, Buda mostra para Ananda como voltar a
atenção para as suas faculdades sensórias internas na intenção de atingir um
foco profundo no estado meditativo conhecido como Samadhi. Ele ensina a Ananda que, pela prática de uma forma
particular de Samadhi, o Surangama
Samadhi, ele e qualquer pessoa que mantenha a pureza de conduta e
desenvolve um entendimento correto pode ganhar um despertar que é igual aos
despertar experienciado pelos Budas.
O Sutra
promete que a prática de recitar o Surangama, no contexto de outras práticas
ensinadas pelos sutras, pode levar ao sucesso de eliminar quaisquer obstáculos
internos ou externos que possam aparecer em nosso progresso espiritual. Até
estes dias, monges e freiras da tradição Chinesa, assim como muitos
praticantes, recitam o mantra todas as manhãs como uma parte essencial de sua
vida cotidiana.
2.
O Estilo Literário do Sutra
A despeito
da importância deste sutra na tradição Budista, e a despeito do valor
intrínseco desta jóia spiritual escrita, o sutra Surangama continua pouco
conhecido no Oeste. A razão para a relativa obscuridade do Sutra fora da Ásia é
parte por conta dos aspectos do texto chinês em si mesmo. Em primeiro lugar,
não existem textos originais sobreviventes. O sutra foi preservado por uma
tradução setecentista para o chinês e esta tradução é amplamente conhecida
entre leitores chineses por sua elegância literária e também bastante conhecido
por sua dificuldade na leitura. O texto é expresso e uma sucessão de quatro
frases nas quais a sua junção resultam em uma prosa metrificada – um formato
que imbui o discurso inteiro em um ritmo vigoroso e linear. Para manter a
métrica de quatro versos, os tradutores chineses foram geralmente forçados a
omitir caracteres necessários para o significado e isso resultou
infrequentemente em uma expressão imprecisa. Para tais passagens, os tradutores
chineses omitiram caracteres e permitiram ambiguidades gramaticais e em um uso
de palavras que faziam alusões a doutrinas sem as explicar. Com isso, muitos
termos técnicos forasm transliterados do sânscrito. O resultado foi um quebra cabeça,
no qual os chineses eruditos foram emboscados algumas vezes para extrair o
significado do texto. Não apenas por isso, apenas alguns poucos tentaram
traduzir o texto para o inglês[2].
Ao levar a
termo esta nova tradução para a língua inglesa com o texto completo do Surangama Sutra, a prioridade primeira
do tradutor atual é certificar que as dificuldades do texto foram reduzidas o
mais possível para o leitor Ocidental. Para atingir esta meta, os tradutores
buscaram por claridade, transparência e naturalidade na expressão. Sacrificamos
todos esforços em emular a complexa e elegante linguagem literária do Chinês
sempre que parecia a nós que esta linguagem pudesse interferir em uma plana assertiva
do significado em inglês. Traduzimos muito termos técnicos em sânscrito que os
tradutores chineses deixaram em sânscrito. Interpolamos capítulos e
subcapítulos com lemas e com uma sucessão de tópicos nos argumentos do Sutra.
Mais avante, providenciamos uma explicação interlinear comentada em quaisquer
lugares que julgamos que poderia ser útil para clarificar o sentido do texto.
Para atingir esta meta, escolhemos excertos de comentários que foram redigidos
em palestras ministradas em 1968 pelo venerável mestre Hsüan Hua (1918-95), um
eminente monge chinês e professor pioneiro em trazer a tradição exegética
escritural budista para audiências ocidentais. Por fim, adicionamos notas de
rodapé explicativas como suplementos para a presente introdução e comentário.
As notas de rodapé fornecem referências ocasionais para outros comentários. Na
maior parte dos casos, sem especial atenção, seguimos interpretações dadas
pelos comentários do venerável mestre Hsüan Hua.
Fortunamente,
as dificuldades impostas pelas escolhas retóricas dos tradutores chineses são
de algum modo mitigadas pela maneira como o Sutra se desenvolve. Muito da
discussão do Samadhi é apresentada em forma de um dramático diálogo entre Buda
Shakyamuni e seu primo mais novo e seguidor Ananda. Para o leitor occidental, o
formato dialógico do Sutra sugere uma profunda similaridade com os diálogos de
Platão. Mas a maneira de Platão desvendar a verdade pelos meio de Sócrates
co-examinar seus interlocutores é, de fato, muito diferente do padrão que
encontramos no Surangama Sutra. Na primeira parte do Sutra, ambos - Buda e Ananda
- usam o silogismo como tardiamente foi utilizado pela tradição lógica do
Budismo. Neste texto, oo construir um silogismo, uma mera razoabilidade não foi
considerada suficiente., Foi necessário estabelecer uma verdade proposicionada
ao citar, como por exemplo, uma evidência da proposição no trabalho da
experiência com a vida cotidiana. A presença destes exemplos é um aspecto
fundamental do estilo distinto do Sutra. Tão logo o argumento progrida de um
ponto para o outro, o leitor recebe uma série de dados sobre a rotina diária de
uma comunidade monástica e da vida ordinárias de cidadãos que viviam próximos à
cidade de Sravasti. Lemos sobre os monges sentados com os seus potes de esmola,
ocupados comendo comidas com seus dedos com o modo indiano. Ouvimos sobre os
inquilinos solicitando benefícios para os pedintes e os curadores locais
segurando potes até a lua cheia para coletar orvalho para que pudessem misturar
com suas porções de ervas. Conhecemos um monge que gastou sua vida consertando
buracos de potes em estradas públicas e sobre o desespero de um rei que está
ficando velho. Quão obscuro ou abstrato o discurso pareça, ele é sempre
profundamente colorido com um sentido de tempo e espaço, com sinais dos sons e
das pessoas do norte da índia como ela era há 125 anos atrás.
3.
Sinopse do Sutra
Prólogo: Ocasião do
Ensinamento.
Quando o
sutra inicia, Ananda está sozinho na estrada, fazendo a tradicional caridade
voluntária monástica. Passando involuntariamente ao lado de uma casa de cortesãs,
ele é confundido pela recitação de um feitiço realizado por uma jovem cortesã.
Ela pretende seduzí-lo e ele está prestes a quebrar o seu voto celibatário. O
Buda Shakyamuni sente à distância a aflição do primo e cria um buda sentado na
mente de Ananda e este Buddha inicia a recitação do Sutra Indestrutível. Então,
o buda Shakyamuni envia o bodhissattva Manjushri para manejar os poderes do
mantra para vencer os poderes do feitiço da cortesã. O Boddhissattva Manjushri
retorna para o terreno monástico com Ananda e com a cortesã. Com a assembléia de monges e diante de uma
multidão de leigos, Ananda encontra face a face com o buda. Profundamente
decepcionado pelo seu próprio comportamento, Ananda solicita instruções sobre
como evitar error futuros. Este é o "pedido do Darma" o qual é a
maior parte do discurso introdutório de Buda.
Parte I: Sobre a
natureza e localização da mente
Ao responder
sobre o pedido do primo, Buda deixa claro que o erro de Ananda não reside no
fato de ter prejudicado a prática do celibato. Igualmente sério foi a frouxidão
de sua prática meditativa e da perfeita atenção. Por causa de sua frouxidão, o
seu foco mental não foi firme o suficiente para resistir à influência do
feitiço da cortesã. É este o erro que Buda ensinou a evitar. Suas assertivas
mostram a Ananda primeiramente o que deve ser considerado para transcender o
mundo condicionado - qual seja, como transcender o meio das impressões
sensórias que pensamos ser ambientes externos e os meios dos pensamentos
profundos que nós louvamos como características de nossas próprias identidades.
Para
aproximar este tópico, Buda inicia perguntando Ananda sobre a localização da
mente. Ananda oferece a resposta evidente de que a mente é encontrada no corpo.
Buda, com um comando superior de pensamento lógico, rapidamente refuta a ampla
suposição de Ananda e outras seis possibilidades ofertadas pelo próprio Ananda.
Ananda é deixado com a desconcertante conclusão de que a mente não está dentro
do corpo e nem fora do corpo, nem em nenhum lugar entre, nem em lugar algum.
Buda completa a confusão do primo asseverando que existem fundamentalmente dois
tipos de mente - primeiro, a mente ordinária a qual nós estamos conscientes e
enrolados, vida após vida, nas teias das ilusórias percepções e atividades
mentais delusionadas; e a segunda, a verdadeira mente eterna, que é a nossa
real natureza e que é idêntica ao completo despertar de todos os Budas. Buda
adiciona que é por que os seres perderam contato com a sua verdadeira mente que
eles estão presos ao círculo da morte e do renascimento.
Parte II: A Natureza
da Consciência Visual
Tendo
explicado a verdadeira mente, Buda inicia um diálogo com Ananda, contando sobre
práticas de atenção que guiam para a verdadeira mente.Buda inicia trazendo para
nossa atenção o simples fato de que nós estamos conscientes. Focalizando na
consciência visual como um paradigma, ele examina o despertar através de uma
série de vinhetas ilustrativas, muitas delas envolvendo outras personagens. Ele
demonstra que, embora as coisas movam para dentro e para fora no campo de nossa
visão consciente, a essência de nossa consciência em si mesma não se move. A
nossa consciência une-se a objetos, mas não é o objeto em si mesmo. Mesmo a
cegueira, estirtamente falando, não significa que não existe contato visual
algum. Pergunte a uma pessoa cega o que ela vê, Buda sugere a Ananda, e a
pessoa cega responderá que vê a escuridão. Em resumo, a essência de nossa
consciência visual não muda. Ela não floresce e não desaparece em resposta aos
objetos visíveis que entram em nosso escopo de visão. O mesmo pode ser dito
sobre nossa consciência de sons, cheiros, sabores, objetos tangíveis e também
sobre as quatro consciências dos pensamentos de nossas mentes. Buda explica
posteriormente que a capacidade essencial de ouvir nunca é ausente, não importa
se exista silêncio ou som. A implicação lógica é que, dada às variedades de
consciências existentes independente dos objetos, deve ser possível
desamaranhar a consciência do objeto. Desse modo, seremos livres para
direcionar nossa atenção para dentro, separar nós mesmos do mundo condicionado
e estabelecer nós mesmos em altos níveis de atenção, ou seja, no Sutra do
Indestrutível.
Parte III: a Matrix
daquele que pode vir a ser
A pergunta
resiste: por que nós gostaríamos de parar de prestar atenção no mundo
condicionado? A pergunda é bipartídite: primeiro, nosso envolvimento no mundo é
envolta de insatisfação e sofrimento e, segundo, o mundo não é real. É neste
segundo ponto que Buda se detém. Ele inicia declarando:
"Fundamentalmente,
tudo o que chega, vai, o que é, deixa de ser, é intrínseco à natureza da Matriz
daquele que pode vir a ser, que é maravilhoso e eternamente entendível - o que
não se move, completamente penetrande, maravilhosamente repleto de
realidade".
A partir
daí, ele inicia a demonstrar a verdade de suas proposições por uma série de
silogismos. Ele mostra cada um dos elementos do mundo físico e como cada um dos
elementos de nosso aparelho sensório é, fundamentalmente, uma ilusão. Ao mesmo
tempo, essas entidades ilusórias e experiências submerge daquilo que é real. A
Matrix de onde tudo isso é produzido é a Matrix daquele-que-pode-vir-a-ser. Ele
é idêntico à nossa própria verdadeira mente e idêntica à fundamental natureza
do universo e da mente de todos os Budas. Ele reside além da concatenação que
chamamos de self e além da miragem sensória-informativa que chamamos de mundo.
Parte IV: O Vir a Ser
do Mundo da Ilusão
Agora Purnamaitrayaniputra, um discípulo mais antigo,
questiona. Se, como a lógica de Buda mostrou, os elementos primários do mundo
psico-físico e os elementos constituintes da percepção são ilusórios na forma
como experimentamos eles, embora sejam fundamentalmente idênticos aos da Matrix
daqueles-que-podem-vir-a-ser, como podem eles serem separados, entidades
ilusórias? Como é que nós nos esquecemos nossas bases da realidade verdadeira e
nos tornamos perdidos em uma grande ilusão? Em diálogo com
Purnamaitrayaniputra, o Buda explica que tudo flui de nosso erro inicial de
dividir realidade em Self e Outros. Este processo começou com o que Buda chamou
de “adicionar entendimento ao entendimento” e leva a uma divisão que foi
inicialmente uma consciência unificada com um observador que foi separado
daquilo que observava. Nossa unidade fundamental com a Matrix
daquele-que-pode-vir-a-ser é obscura, assim como um céu limpo é coberto com
nuvens. Para enfatizar como é desnecessária a divisão entre Self e Outro, Buda
relata uma parábola. Um cidadão de nome Yajñadatta correu por sua vila
procurando por sua cabeça que ele, bobamente, julgava ter perdido. A sua
cabeça, é claro, estava todo o tempo sobre seus ombros, assim como sua
verdadeira mente, que ele havia esquecido e, portanto, plenamente acessível a
todos nós.
Parte V: Instruções em
Prática
Com as informações,
Buda construiu a base conceitual para as instruções o Surangama Samadhi. As
faculdades sensórias – olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e cognição – são
obstáculos que nos mantém distantes da nossa casa verdadeira. Mas se
direcionarmos a atenção destas faculdades em sentido reverso e as direcionarmos
para dentro ao invés de para fora, elas se tornarão os meios para retornamos
para nossa realidade. Buda relembra a Ananda que libertar a mente do seu
envolvimento ao perceber os objetos é possível por causa da consciência de que
o mundo é independente da percepção do mundo. Ele demonstra novamente esta
independência ao instruir seu filho, Rahula, com o som de um sino. Buda mostra
que quando o som do sino morre adiante, nossos poderes de ouvir mantêm-se
intacto, desde que nós estamos conscientes primeiro do silêncio e, aí, do som
do sino novamente. Buda diz: “ Tudo o que você precisa fazer é não permitir que
sua atenção seja dispersa pelos 12 atributos condicionados do som e do
silêncio, contato e separação, sabor e ausência de sabor, abertura e bloqueio,
tornando-se um ser e perecendo, e luz e sombra. Depois, abra uma faculdade ao
separá-la de seus objetos. Redirecione a faculdade para dentro e ela pode
retornar para o que é original e verdadeiro. Assim, ela irá irradiar luz para o
entendimento original. Essa luz brilhante irá iluminar adiante e abrir todas as
cinco faculdades até que elas estejam completamente livres”.
Parte VI: As vinte e
cinco sabedorias
Ananda pergunta ao
Buda para instruí-lo em qual das faculdades da percepção ele deve focalizar em
sua prática. Ele espera que Buda transmita a ele uma resposta em privado em uma
transmissão mente-a-mente, mas ao invés disso Buda devolve a pergunta de Ananda
para a audiência. Ele pede aos Sábios presentes para voluntariarem-se a
explicar como a prática espiritual deles permitiu-os a entrarem no samadhi e,
assim, quebrarem a ilusão e tornarem-se iluminados. Em resposta, 25 sábios
levantaram um a um no meio da assembleia e contaram suas histórias de
iluminação. Dezessete sábios contaram sobre as práticas envolvendo os elementos
constituintes da percepção e sete outros sábios contaram sobre a iluminação a
partir da contemplação de um dos elementos primários.
A explicação mais
extensa foi dada pelo vigésimo quinto sábio, o Bodhissatva Que Ouve o Choro do
Mundo. A prática que o levou para a iluminação foca em reverter a atenção da
faculdade do ouvido. Contada sua história, o Bodhissattva que Ouve o Choro do
Mundo discute os poderes que sua prática de Ouvir trouxe para ele. Ele
especifica que ele pode preencher os desejos de 32 tipos de humanos e não
humanos, como ele protege as pessoas em situações perigosas de modo que elas
não tenham nada a temer e como ele aparece de várias formas para ensinar aos
seres e para protege-los.
O Buda pergunta a
Manjusri para recomendar a Ananda um dos 25 caminhos da iluminação que foram
descritos pelos 25 sábios. Falando em versos, Manjusri endorsa a prática de Ouvir
como foi descrita pelo Bodhissatva que Ouve o Choro do Mundo. Manjusri conclui
que esta prática é a mais adequada para Ananda e para os seres do futuro[3].
Parte VII: Quatro
instruções claras e definitivas sobre a Pureza
A seguir, Buda
descreve um segundo aspecto da prática do samadhi. Reverter a atenção da
faculdade dos ouvidos não é suficiente. O ser não pode progredir
apropriadamente em nenhum caminho espiritural se o seu comportamento moral não
for correto. Buda insiste na pureza em quatro esferas de conduta, as quais, na
Tradição Budista, são adereçadas pelas primeiro quatro de cinco preceitos
morais: não se deve matar, roubar, cometer conduta sexual inapropriada ou falar
falsamente de modo que possa causar mal a outros[4]. Nesta parte, Buda explica
que, na intenção de praticar o samadhi de modo correto, não é apenas necessário
refrear os impulsos de matar, roubar, utilizar mal o sexo ou falso testemunho:
o ser deve apagar qualquer pensamento de tais ações em sua mente.
Parte VIII: O
Surangama Mantra
A pedido de Anando,
Buda explica em grande detalhe como criar um lugar para despertar devotado para
a prática do Surangama Mantra, e a
partir daí Buda recita o mantra para todos da assembleia ouvirem. Em seguida,
ele explica com recitar o mantra, especialmente de memória, assim como os
simples atos de devoção para o mantra e como eles podem trazer benefícios para
o praticante, incluindo segurança das dores e progresso espiritual mais rápido.
Finalmente, seres numerosos da assembleia de ouvintes levantam-se para criar os
votos de que eles irão proteger qualquer um que pratique o Surangama Mantra.
Parte IX: Níveis de
Seres
Nesta seção, Buda
responde ao desejo de Ananda para aprender sobre os níveis de Seres. Buda
divide, inicialmente, os seres em 12 classes organizadas de acordo com a
maneira do seu nascimento. Ele, então, sumariza brevemente, 60 estágios nos
quais os Bodhissatvas passam por seus caminhos de despertar semelhantes aos
Budas. Finalmente, ele descreve em grande profundidade os sofrimentos dos seres
confinados em infernos e, mais brevemente, 6 outros destinos: fantasmas,
animais, humanos, mestres ascéticos, deuses em seus 28 reinos celestiais e,
finalmente, asuras. Ao descrever estes estágios dos Bodhissatvas, Buda oferece
para Ananda um mapa para seguir nas suas práticas futuras. Ao descrever os
infernos e outros destinos, ele avisa aos ouvintes dos perigos de cometer atos
intencionais que podem gerar consequências desagradáveis. Aqui, novamente, ele
refere às proibições que são enfatizadas repetidamente no texto: não matar, não
roubar, não cometer conduta sexual inapropriada e não falar falsos testemunhos.
Parte X: Estados
Demoníacos da Mente
Na parte final do
Sutra, Buda fala novamente sem o pedido por uma instrução, como ele fez na
parte III. Nesta seção, ele dedica-se a avisar aos praticantes para manterem a
vigia contra os cinquenta estados demoníacos da mente que podem surgir durante
o período nos quais os devotos estejam quebrando o apego sobre os cinco agregados
– forma, percepção sensória, cognição, formações mentais e conscienciosidade.
Dez estados de mente são descritos para cada um dos cinco agregados. Buda
explica que se o praticante lograr a estes estados como não importantes, os
estados irão desaparecer em comum acordo. Mas se os praticantes caírem sob a
influência destes estados, eles podem se tornar presos. Eles podem enfrentar
insanidade ou possessão demoníaca ou podem, simplesmente, parar no caminho. Os
praticantes nestes estados podem levar outros devotos para o mesmo caminho. Ao
descrever pessoas que tomaram os caminhos errados, esta seção serve como um
aviso conta cair sob a influência de charlatães espirituais e seus cultos. O
aviso é relevante para hoje.
Para cada um destes
cinquenta estados mentais, uma descrição vívida é demonstrada para o fenômeno
mental experienciado pelo praticante. Em essência, o que é apresentado é um
método únido para catalogar e classificar as experiências espirituais, junto
com uma indicação das causas que levam para cada uma das experiências. Embora
os 50 estados de mente descritos não seja uma lista exaustiva de todos os
estados de mente possíveis, o texto oferece um quadro para a classificação de
todas as experiências espirituais, ambos Budistas ou não budistas.
Finalmente, em diálogo
com Ananda, Buda descreve a imensa quantidade de mérito que foi ganhada por
aqueles que ensinam a outros sobre o Surangama Mantra e sobre o Surangama
Sutra.
4.
O
significado do Título
Surangama Sutra é um título
abreviado.Um título mais extenso, embora ainda parcial, é Sutra sobre o surangama Mantra Que foi Falado sobre a Coroa da Cabeça
do Grande Buda. O título completo é Sutra
sobre o Surangama Mantra que foi Falado sobre a Coroa da Cabeça do Grande Buda
e sobre as Bases Escondidas para as Miríades daqueles-que-podem-vir-a-ser
Bodhissatvas ao praticar ações que os levam às suas próprias verificações da
Verdade Última. Este título completo une os dois títulos que o Buda sugeriu
em uma breve passagem próximo ao final do Sutra.
Na tradição budista,
um sutra é um discurso que contém os ensinamentos de Buda Shakyamuni ou os
ensinamentos de outros Budas ou seres iluminados.
Um Buda é um ser
plenamente iluminado que desenvolveu perfeita sabedoria e compaixão universal.
O Buda particular cujos ensinamentos foram falados em benefício dos seres deste
planeta e desta era, e que viveu no noroeste da Índia durante o sexto e quinto
século antes de cristo, foi o príncipe Sidhartha Gautama, que, ao atingir plena
iluminação, tornou-se Buda Shakyamuni. Ele é referido como o Buda histórico. É
ele quem fornece os ensinamentos contidos neste Sutra.
“Grande” descreve a
verdadeira natureza de um Budas – não o seu corpo físico, mas sua mente
plenamente desperta, que preenche todo o universo. Este aspecto do Buda é,
algumas vezes, simbolicamente representado como o Buda Vairocana, que é o
“Grande Buda” referido neste título.
As “bases escondidas
para as práticas Bodhissatvas” é o Surangama Sutra e o Surangama Samadhi.
“Aquele que pode vir a
ser” é um termo honorífico utilizado para nomear Buda.
A palavra
“Bodhissattva” pode ser traduzida como “ser desperto”. Bodhissatvas devotam
seus corpos para o despertar de todos os seres, enquando ao mesm tempo se
engajam nas “práticas miríades” que ops levarão para o completo despertar.
Quando um ser se torna
um Buda, que é a meta da miríade das práticas bodhissattvas, ele pode verificar
através de suas próprias experiências a natureza da verdade última.
5.
Níveis
de ensino
Buda ensinou em dois
níveis diferentes: ele ensinou sobre o tranquilo permanecer, verdadeiro Darma,
que é aplicável a todas as circunstâncias de todos os tempos, e ele ensinou
sobre o Darma provisional, que ele costurou às necessidades da audiência e
serviu para o contexto e circunstâncias. O Surangama
Sutra foi falado em resposta ao desastroso erro e julgamento que Ananda fez
durante sua prática de caridade, fazendo clara a sua necessidade de desenvolver
o poder do samadhi, como contado no prólogo do Sutra.
Os ensinamentos
provisionais de Buda variam conforme a audiência e suas aspirações, em seus
próprios níveis de realizações, nas suas práticas meditativas e na sua
capacidade de entendimento. Alguns dos registros de seus ensinamentos contém
muitos níveis de instrução no mesmo documento, enquanto outros registros
limitam-se4 a explicar apenas um tipo de ensinamento. Todos os ensinamentos de
Buda não são necessariamente apropriados para todos em todos os níveis.
Mais adiante, durante
uma carreira de quase cinquenta anos, e enquanto sua audência progredia na
própria prática, seus ensinamentos progrediram gradualmente do nível
introdutório para o nível avançado. Em alguns casos, os ensinamentos
posteriores criticam substancialmente os introdutórios, trocando ensinamentos iniciais
com pelos últimos. Algumas destas críticas aparecem neste Sura, assim como as
críticas aos ensinamentos não-budistas que existiam na Índia durante e depois
da era do Buda.
A tradição Budista
sustenta que, após o nirvana do Buda, o nível geral de entendimento e prática
dos ensinamentos Budistas vagarosamente caem. O maior sinal de declínio ocorre
cinco centenas de anos após o nirvana; esta é a cisma que divide o Budismo nas
vertentes Mahayanma (“Grande Veículo”) ou Budismo Norte, que subsequentemente se
espalhou para a China, Coréia, Java, Vietnam e Tibet; e o Thevada (“Ensinando
para os Mais Velhos”) ou Budismo do Sul. Esta forma sulista se espalhou para o
Sri Lanka e para o Sudeste da Ásia. A vertente Mahayana é dividida em muitas
outras escolas, entre elas existem a Escola do Vazio (Madhyamaka); a escola
Apenas-Consciência (Yogacara); a Terra Pura; a Matrix daqueles que podem vir a
ser (Tathagatagarbha) e os Estudos Esotéricos (chamados Vajrayana no Tibet). O
Sutra Surangama contém ensinamentos que são consoantes com todas estas escolas,
ao focalizar nos ensinamentos da Matrix Daqueles Que Podem Vir a Ser e nos
ensinamentos da Escola Esotérica, ambas das quais floresceram na India antes de
terem sido introduzidas na Crina no tardio século XVII e XVIII.
Outra abordagem dada
para os comentários tradicionais são os entendimentos sobre os níveis de
ensinamento sobre o Surangama Sutra enumerados e explicados em 4 portais
sucessivos de inquirição e entendimento: ‘) Inquirição Inteletual sobre o
sentido do texto do Sutra; 2) Meditações em se tornar um fenômeno de Ser a
partir de nossas próprias distinções, como elaborado pela escola
Apenas-Consciência; 3) uma abordagem numeral que aproxima diretamente a
natureza de todos os fenômenos, qual seja a natureza da vacuidade de qualquer
essência real e independente existência de qualquer fenômeno, como elaborado
pela Escola do Vazio; e 4) a relação da interrelação desobstruída do númeno e
do fenômeno, como encontrado na Matrix Daqueles que Podem Vir a Ser e sua posterior
elaboração em conjunto com a escola Huayan chinesa.
6.
As
razões para ensinar
Comentadores
tradicionais identificaram seis preocupações que são direcionadas para os
ensinamentos de Buda no Surangama Sutra. Eles podem ser sumarizados conforme
vemos abaixo:
1) A
primeira é a importância de balancear a prática do aprendizado e a prática da
meditação. Ananda foi considerado como o discípulo de memória mais arguta. Ele
fez a falsa presunção de que poderia depender apenas de sua inteligência e sua
relação especial dom Buda e, como resultado, ele negligenciou sua prática.
Consequentemente, ele não obteve samadhi suficiente para superar o feitiço que
a cortesão direcionou a ele.
2) O
Segundo perigo são os charlatães que se posicionam como professores, cujas
visões errôneas são consequência de seus próprios desarranjos mentais. O sutra
condena professores espirituais que enaltecem seus méritos espirituais
avançados e que violam as normas morais de conduta. Buda avisa sobre estas
pessoas em três momentos no texto: na parte VII e parte IX.3B, na qual ele
discute pureza, e na parte X, na qual ele descreve os estados demoníacos de
mente associados aos cinco agregados.
3) O
terceiro perigo é a necessidade de entender apropriadamente a diferente entre a
mente verdadeira de um ser e o jeito de distinguir a consciência de um ser,
desde que entendimento é um pré-requisito para uma boa prática. Desde que
pessoas geralmente consideram que seja a sua própria mente não seja a mente
verdadeira, as primeiras porções do Sutra exploram sistematicamente as
proposições erradas sobre a mente na intenção de revelar a verdadeira mente.
4) O
quarto perido é que o entendimento correto deve ser seguido pela prática
meditativa que seja fundamentada na mente verdadeira. Uma vez que nós criamos o
compromisso conosco no caminho do desperta, devemos aprender que a prática é
necessária para manter o progresso. Isso inclui aprender técnicas de meditação
apropriadas, escolhendo aquelas práticas meditativas que sejam fundamentadas em
nosso mais profundo ser, e evitando práticas de meditação que não nos
direcionem para o despertar completo. Nas palavras do venerável mestre Hsüan
Hua:
“Existem muitas portas para o
Darma na prática do samadhi, e existem outros samadhis que não são ensinados no
budismo. Mas ao cultivar o samadhi,m se você começar em uma direção errada
mesmo que o erro seja menor que um fio de cabelo, você irá perder a sua meta
por mais de mil milhas. Por isso, é necessário cultivar um samadhi apropriado.
Pessoas que pegam o caminho errado, não desenvolvem o samadhi apropriado porque
o trabalho deles é direcionado para os ramos mais do que para as raízes. Eles
trabalham seus corpos, que é uma armadura falsa. Eles acreditam que a mente
cotidiana, a sexta consciência, seja a mente verdadeira. Como resultado, suas
práticas dão a eles pouca consciência do tranquilo permanecer, mas a
experiência deles não é genuína. Eles forçam eles mesmos a manterem seus
pensamentos fechados, sem aparecerem, mas eles não chegaram até a raíz da mente
deludida, então eles não conseguem por um fim à morte e ao renascimento. O
processo é semelhante a colocar uma pedra em cima de um local onde se nasce
grama. Uma vez que a pedra seja removida, a grama retorna a crescer.
5) O
quinto perido é, na intenção de praticar a meditação corretamente, o praticante
deve saber como se livrar das distorções dos processos mentais. Práticas
meditativas apropriadas, uma vez que sejam aprendidas, devem se rusadas
sistematicamente para eliminar os processos mentais grosseiros ou sutis que são
obstáculos para o progresso no caminho. Aquelas atividades mentais são
frequentemente ligadas à poeria no espelho de nossa mente verdadeira. O Sutra
exorta a nós para realizarmos o compromisso de purificar nossas mentes.
6) O
sexto perigo é que, na intenção de ensinar aos outros, devemos não apenas
realizar a verdadeira natureza de nossas mentes, mas também aprender uma variedade
de ferramentas necessárias para auxiliar os outros ao longo do caminho. Os
estudos provisionais tornam úteis das ferramentas para trazer as pessoas para o
Darma.
7.
Correspondência
dos ensinamentos do Sutra com as escolas mahayanas budistas
Muitos dos
ensinamentos essenciais da linhagem mahayana representados pelo Surangama Sutra foram posteriormente
sistematizados por escolas específicas. Conhecer estas escolas pode oferecer um
entendimento mais claro sobre os ensinamentos do Sutra, particularmente quando
o sutra alude para os ensinanamentos que não o explicam em detalhes. Por esta
razão, um breve sumário é dado aqui sobre alguns relevantes ensinamentos da
escola Apenas-Consciência (Yogacara), a Matrix daquele-que-pode-vir-a-ser
(Tathagata-garbha) e da Escola Esotérica.
A escola
Apenas-Consciência
Embora as oito
doutrinas de consciência da Escola Apenas-Consciência da linhangem budista
mahayana não sejam explicitamente ensinadas no sutra Surangama, comentadores
tradicionais acham que esta doutrina seja útil para explicar o significado do
texto.
A escola
Apenas-Consciência descreve a mente como um sistema de sete consciências ativas
(vijñãma), todas se desenvolvem em
uma oitava, a “casa da consciência”. A última é passiva e contem os potenciais,
ou “sementes” (bija), para desenvolvimento e atividade das sete primeiras
consciências. A sétima consciência, ou “individuando a consciência” (manas),
contem o senso inato do self; A sexta consciência contem o senso aprendido do
self e é um centro de processamento perceptivo e cognitivo. Ela faz distinções
entre as informações enviada para e a partir das cinco primeiras consciências,
que são as consciências perceptivas dos olhos, ouvidos, nariz, língua e corpo.
A sexta consciência faz distinção entre objetos cognitivos, tais quais
pensamentos e emoções.
Uma vez que as sete
consciências tenham sido emadadas da oitava consciência, elas são usualmente
experienciadas como separadas e distintas, mas estas faculdades são
fundamentalmente uma.
A oitava consciência
conta com um completo espectro de processos mentais. Neste sistema, não há
necessidade de noções sobre o real, self permanente ou self real e fe^nomenos
externos e internos permanentes. Todos os reinos verdadeiros e reais da
experiência são mostrados como se contivessem dentro das transformações da
consciência. Eles aparecem como manifestações da mente distintiva-realizadora.
O que existe de fato é apenas a consciência, ou seja, a oitava mente
purificada.
Entretanto, devido ao
nosso apego para e crença na realidade do self e na realidade de todos os
fenômenos que são perceptíveis e compreensíveis como se fossem do mundo
exterior, a verdadeira natureza do mundo e sobre nós mesmos é obscura, tão
obscura que somos completamente inconscientes disso.
A Matrix daqueles que
podem vir a ser
Estes ensinamentos
focalizam na natureza da realidade última e no potencial de todos os seres para
despertarem para a realidade. Através de uma correta prática budista, podemos
caminhar avante de nossos úteros espiriturais o buda embrionário que foi
encontrado dentro de cada ser senciente. As oito consciências descritas na
doutrina Yogacara são consideradas verdadeiras apenas provisoriamente. Em
última instância elas são ilusórias, como Buda explica na parte III. Nosso
mundo de ilusões surge do Tathagata-gabbha, a Matrix daqueles que podem vir a
ser (outros termos equivalentes incluem Natureza-Búdica, o Corpo-do-Darma e a
mente verdadeira). Esta realidade espiritual essencial é inerente a todos os
seres sencientes, e o trabalho prático do espírito é remover a ilusão que
acoberta isso. A Escola da Matrix Daqueles-Que-Podem-Vir-A-Ser enfatiza a
presença dessa essência espiritual em todos os seres sencientes, e disso emerge
uma ênfase no vegetarianismo, que aparece neste Sutra na parte VII.
Na parte VI, Buda
explica como o mundo ilusório dos fenômenos físicos e mentais – meu, seu e das
coisas – parece aparecer daquele primeiro vislumbre da ignorância da mente
iluminada. Esta explicação, que é consoante com os ensinamentos de
Tathagata-garbbha, não é histórica ou temporal. É mais uma exposição dos
limites de nossas experiências ou consciências. A implicação é que nós vivemos
na superfície de nossas consciências. Aquilo que nós somos conscientes é
meramente a superfície de uma mente mais profunda ou uma potência de
consciência. Embora possamos estar plenamente contentes por estar vivos na
superfície, nós tempos potencial para aprofundar nossas consciências. A prática
budista é preocupada com essa profundidade, que envolve um redirecionamento de nossa
consciência para longe do mundo ilusório e em direção à nossa mente original,
que é idêntica à mente de todos os Budas.
Ensinamentos
Esotéricos
Os ensinamentos
Esotéricos, conhecidos por Buda como Vajrayana, inclui várias metodologias de
meditação e outras práticas que são transmitidas privadamente de professor para
discípulo em transmissões formais ou rituais de empoderamento. Eles incluem a
recitação de mantras, algumas vezes em coordenação com mudras (rituais nas
quais as mãos são posicionadas) e pelo uso de implementos rituais, e também por
meio do ensinamento de visualização de deidades, rituais de criação de espaços
sagrados (mandalas) e o oferecimento de oferendas elaboradas. O capítulo
central do Surangama (Parte VIII) descreve algumas destas práticas em detalhes.
A pureza moral é um pré-requisito essencial para as práticas Esotéricas, assim
como é para a prática Budista, e o Suytra contém avisos fortes sobre os perigos
da imoralidade, que tornou-se comum em muitos círculos tântricos budistas na
Índia do passado. Desde aquele tempo, a falha em reconhecer a pureza moral
necessária foi um abismo frequente para um número significante de professores e
estudantes dos estudos esotéricos, ambos na Ásia e no Ocidente.
8.
O
Silogismo e o Tetralemma
Muitos leitores podem
se surpreender sobre o quão lógico pode ser a argumentação que eles encontram
na primeira metade do Sungarama Sutra. De fato, o Budismo e outras religiões
indianas desenvolveram um elevado sistema de lógica formal. Neste Sutra, ambos –
Buda e Ananda – usam silogismos que são formas avançadas de provas de
proposições. Estes silogismos conformam amplamente o sistema de lógica de
inferência desenvolvida pelos lógicos Budistas na Índia, conhecidos como hetu-vidya. Ocasionalmente, é possível
encontra um sistema de quatro negações (o tetralemma).
O silogismo
De acordo com o
sistema antigo de lógica formal indiano, a verdade de uma proposição pode ser
demonstrada em cinco passos:
a) Uma
proposição (pratijna) é declarada.
b) A
razão (hetu) da proposição é dita como a verdadeira sentença
c) Uma
ou mais instâncias (drstana ou udaharana) da proposição pode ser encontrada na
vida ordinária e este exemplo é verificado
d) Estas
instâncias são aplicadas (upanaya) à proposição, mostrando como demonstrar a
verdade da assertiva
e) A
conclusão (nigamana) reitera a proposição, agora demonstrada com um exemplo da
vida comum.
Estes cinco passos
foram reduzidos a três, em efeito deixando de fora os dois últimos dos cinco:
a.1) Proposição
b.2) Razão
c.3) Instâncias
c.3.1) Instância
positiva
c.3.2) Instância
negativa
No sutra Surangama,
Buda usa elementos de ambos os passos: o silogismo em cinco partes e o
silogismo em três partes.
O que é possivelmente
mais visceral para um leitor Ocidental é a importância das instâncias dadas. Em
efeito, casos específicos de uma proposição, garantido que elas sejam
proveitosamente aplicáveis, são consideradas como demonstraçãoes da verdade da
proposição geral. Existem debates que tentam explicar em quais casos a
instância é de fato aplicável, ou seja, se a verdade da proposição pode
verdadeiramente ser inferida pela própria proposição. Este padrão de inferência
por instância é um elemento retórico domunante na primeira parte do sutra. O
exemplo a seguir, delineado no início da segunda parte, pode servir de auxílio
para muitas ocorrências do mesmo padrão:
1: Proposição: é a
mente e não os olhos que vê (no texto este passo é implícito, mais do que
declarado).
2: Razão: Nossa
consciência visual é ativa mesmo que nada possa ser visto.
3: Instância retirada
da vida cotidiana: Nas palavras de Buda: “Se você pergunta a um homem cego na
rua, “Você vê alguma coisa?”, ele responderá sem dúvidas, “Tudo o que vejo é
escuridão”.
4: Aplicação da
instância: “Reflita sobre o que isso pode significar. Embora o homem cego veja
apenas escuridão, a sua consciência visual mantém-se intacta”.
5: Conclusão: “Os
olhos em si mesmo simplesmente revelam objetos visíveis, é a mente que vê e não
os olhos”.
A negação em quatro
partes (Tetralema)
Na lógica antiga
indiana, declarações podem ser afirmadas, negadas, nem afirmadas ou negadas e
ambas negadas e afirmadas. O fundador da Escola da Vacuidade (Madhyamaka), o
Bodhissattva Nagarjuna, popularizou a negação lógica nestas quatro
possibilidades como um jeito para mostrar a vacuidade de tudo que pode ser
construído como real, o self permanente ou fenômeno ou como um atributo do
real, permanente self ou fenômeno. Nesta negação de quatro partes, algumas
vezes chamada de tetralema (catuskoti), uma proposição é declarada para ser nem
verdadeira nem falsa. Esta fórmula existe para relembrar à nossa prática que
tudo o que percebemos é vazio de qualquer atributo, e, portanto, nada
definitivo pode ser asseverado sobre o mundo e sobre os conteúdos da mente.
Existem instâncias numerodas de tetralema neste Sutra.
9.
Complementos
à leitura
A tradição de
comentários
Nas sábias tradições
asiáticas, textos sagrados foram geralmente estudados com a adição de
comentários que não foram nem escritos e nem falados pelos professores
espirituais. O padrão usual foi o seguinte: cada passagem do texto é seguido de
um comentário interpretativo, algumas vezes bem amplos. Isso não é exceção para
os textos budistas. Ao lado do Surangama Sutra uma rica tradição de
comentadores floresceu. Como mencionado abaixo, foram encontrados 127
comentários chineses sobre este sutra, incluindo 59 na dinastia de Ming
(1368-1644), quando o sutra era especialmente popular.
Para estudantes mais
sérios, a exegese de comentadores é essencial. Os tradutores presentes
consultaram dois comentários em particular: o comentário do mestre Hsüan Hua e
o comentário do venerável mestre Yuanying (1877-1953). Em adição, a tradução
utilizou o comentário da dinastia Ming feita por Chan Mestre Hanshan Deqing
(1546-1623) e da dinastia Qing do mestre Xufa.
Engajamento com os
Sutras como uma prática espiritual
Na tradição budista,
os sutrasw são compreendidos como portadores dos ensinamentos dos Budas e dos
grandes mestres iluminados. Eles funcionam como manuais para o Caminho do
despertar. Por esta razão, eles são tratados com reverência. É costumeiro
manter sutras em lugares limpos, separados dos trabalhos seculares, segurá-los
com respeito e lê-los apenas quando estiver sentado em ordem ou em pé – nunca
enquanto estiver deitado ou em uma postura desleixaqda.
Sutra – assim como os
textos sagrados de outras religiõpes – podem ser eles mesmo o foco da prática
espiritual. Algus devotos leem textos particulares, como o Surangama Sutra, por
um período de tempo em cada dia. Outros se comprometem a memorizar o texto e
recitá-lo. (...) Tais práticas podem desenvolver a fé, desamarrar os laços com
o self e levar para uma transformação pessoal e crescimento espiritual.
Os sutras como guias
práticos
Buda não deve ser
entendido como um filósofo que tentou desenvolver um sistema filosófico,
completo em sua epistemologia, metafísica e cosmologia. Ele também não se
engajou no pensamento científico. Os seus ensinamentos não especulam sobre a
natureza do que parece ser o mundo exterior. A sua meta era ensinar aos seres
sencientes como compreender a sua experiência de tal modo que eles fossem
capazes de eliminar o sofrimento e a qualidade insatisfatória de suas vidas.
Quando lemos as assertivas dos sutras que parecem ser abstrações filosóficas ou
excursões pela neurociência ou psicologia cognitiva, devemos compreender que o
propósito e significado destas declarações são compreender e avaliar à luz de
sua utilidade para avançar nos caminhos espirituais.
Numa celebrada
passagem dos Discursos Médios Profundos de Buda, ele compara a si mesmo e seus
ensinamentos com um cirurgião que retira a flecha venenosa de um corpo de um
homem com a intenção de salvar sua vida. O cirurgião instrui o homem como
cuidar de sua ferida de modo a se curar rapidamente, mas ele não propõe nenhum
remédio exterior ou informação médica que pode possibilitar sua cura.
“Suponha que exista um
homem ferido por uma flecha envenenada, e seus amigos e companheiros, seu homem
de guarda e parentes, tragam um cirurgião. O cirurgião corta ao lado da ferida
com uma faca, e deve neutralizar a flecha. Ele provavelmente tirará a flecha e
retirará o veneno sem deixar nenhum traço dele para trás. Sabendo que nenhum
traço do veneno foi deixado para trás, o cirurgião dirá: “Bom homem, a flecha
foi retirada de você, o veneno foi retirado sem nenhum vestígio deixado para
trás, e o veneno é incapaz de ferir você. Coma apenas comidas apropriadas, não
coma comidas inapropriadas, ou desse modo a ferida pode suturar. De tempos em
tempos, lave a ferida e de tempos em tempos abra a ferida para que o pus e o
sangue não cubra a ferida aberta. Não ande pelo vendo ou sol ou poeira e
sujeira que possam infectar a ferida aberta. Cuide de sua ferida, bom homem, e
verifique como a ferida se cura”.
Assim, o homem pode
pensar: “ A flecha foi retirada de mim, o veneno foi retirado sem deixar
rastros e é incapaz de me ferir”. Ele vai comer apenas comidas apropriadas, a
ferida não irá infeccionar. De tempos em tempos ele lavará a ferida e a abrirá
para que o pus e o sangue não se sobreponham à ferida. Ele não andará no vento,
sol, poeira ou sujeiroa para não infeccionar a ferida. Ele cuidará da ferida e
verá como a ferida se curará. Assim, por ambos cuidados, a ferida se curará e,
porque curada, será coberta com pele, e ele não morrerá e nem sentirá
sofrimento.
Assim, também
Sunakkhatta, é possível com alguns bhikkuns
pensarem sobre isto: “O desejo tem sido chamado de Flecha por um Recluso; o
humor envenenado da ignorância é espalhado por seu próprio desejo, luxúria e
desejo doente. A flecha do desejo foi retirada de mim; o veneno da ignorância
foi expelido. Sou um dos que completaram a intenção de Nibbana”. Ser um
daqueles que realmente realizaou o Nibbana, ele não perseguirá aquelas coisas
que não se conformam completamente com a intenção do Nibbana. Ele não
perseguirá a visão de coisas inadequadas para os olhos, não perseguirá sons com
o ouvido, cheiros com o nariz, sabores com a língua, coisas tangíveis
inadequadas para o corpo ou coisas inadequadas para a mente. E porque ele não
persegue tais coisas inadequadas para os olhos e inadequadas para a mente, a
luxúria não invade sua mente. Porque sua mente não é invadida pela luxúria, ele
não incorrerá na morte ou no sofrimento.
Sunnakkhatta, ofereci
este sorriso na intenção de prover um significado. O significado é este:
“Ferida” é um termo para as seis bases internas. “Humor envenenado” é um termo
para ignorância”. “Flecha” é um termo para desejo. “Sonda” é um termo para a
vacuidade. “Faca” é um termo para sabedoria” “Cirurgião” é um termo para
Tathagata, aquele que Alcançou, o plenamente iluminado.
Nestes ensinamentos,
Buda inicia a partir das visões e crenças das pessoas para quem ensina. Ele
guia-os a questionar suas próprias visões e crenças para uma extensão
necessária para seu ensinamento e para um nível importante para a liberação
deles.
10. A história do Sutra e a questão de
sua autenticidade
O Surangama Sutra na Índia
O período na índia anterior à transmissão do Sutra na China
no começo do século VIII foi cercado por fragmentação política e social e uma
severa restrição social. O país estava dividido em muitos reinos feudais, com
um grande número de chefes truculentos e pela insurgência de influências
tribais. O Budismo estava em perigo de perder suas tradições sociais e estava
enfrentando novos desafgios dos Hindfus, praticantes do tantrismo Saivite que
florescia no sul da Índia. Este foi o contexto inicial do florescimento do
Budismo esotérico indiano ao lado das tradições siddha. Desafios morais e
confusão cresceu nas sociedade secular e nas comunidades budistas. Feiticeiros
poderosos – tribais, saivite e auto denominados budistas – cresceram seus
poderes e tentaram modificar os preceitos fundamentais da vida monástica. Nesta
atmosfera, pode-se explicar por que o Surangama Mantra foi especial para
explicar os problemas na Índia. Talvez este seja o motivo, conforme as
tradições contam, que o Sutra foi considerado um tesouro.
Preocupações com a autenticidade do Sutra
A autenticidade do Sutra Surangama foi posta por alguns
estudiosos modernos que dizem que o texto deve ser uma tradução chinesa. A data
da tradução foi questionada e anomalias textuaus podem sugerir a interpolação
de elementos culturais puramente chineses. Existem razões fortes para acreditar
que o texto original é indiano. É verdade, por exemplo, que durante as
primeiras centenas de anos do Budismo na China, textos budistas corruptos
circularam, quando a tradução do sutra foi completada, estudiosos monásticos
chineses tornaram-se suficientemente hábeis em reconhecer textos inautênticos.
Enquanto alguns detalhes do texto parecem surgir de um
contexto chinês, eles podem representar meramente as escolhas feitas pelos
tradutores para substituir os equivalentes chineses ou análogos para pessoas
pouco familiarizadas com os elementos indianos presentes no original. Um
exemplo disso é a aparição dos mestres ascéticos da parte IX, em conjunto com
uma lista de categorias dos seres. Os chineses usam os caracteres xian para
estes mestres ascéticos. Este ‘xian”, geralmente traduzido como”imortal” é o
caractere chinês para os mestres de longa vida da tradição Daoísta chinesa. A
apariçã de uma palavra claramente Daoísta levaram alguns estudiosos a
questionarem que o Suramgama foi composto na China. Uma explicação muito mais
plausível e também mais simples é que o original indiano ‘rsi’ refere aos
hindus ascetas santos. Os tradutores chineses sensivelmente trocaram ‘rsi’ por
‘xian’, supondo que ambos são ascetas, se não precisamente equivalentes, ao
menos ocupantes de lugares espirituais semelhantes em suas respectivas
sociedades.
A presença de dois elementos indianos mostra a origem
indiana do texto. Um destes, já mencionado aqui, é a presença da lógica indiana
budista em muitos silogismos e o uso da negação em quatro partes. A outra é o
Surangama Sutra, que o chinês não traduziu e que reside no coração das
instruções do Sutra para o caminho espiritual.
Tendo considerado a autenticidade do Surangama Sutra pelo
ponto de vista da edótica e da crítica textual para textos religiosos, é
importante considerar a própria tradição do Sutra. Qualquer que seja a origem e
proveniência do texto – se esta pergunta puder mesmo ser respondida – um fato
não é discutível: o Surangama Sutra foi amplamente aceito na China como
canônico por quase mil anos. Tal aceitação reflete uma visão de que o texto
religioso pode ser medido por sua eficácia como um guia moral e espiritual em
suas práticas. A partir desta pragmática, o Surangama Sutra pode ser
corretamente reconhecido como autêntico simplesmente por gerar os avançados
praticantes e seus estudantes e discípulos, com suas respectivas reverências ao
texto. Eles seguiram suas instruções, explicaram estas instruções para outras
pessoas como prescrições confiáveis para a purificação moral e espiritual que
auxiliam no avanço espiritual. Nas mentes de muitos admiradores, a validade do
Sutra e a importância não depende do quanto o texto represente um amontoado de
palavras falados por Buda Shakyamune no dialeto Magadhan do sânscrito no lugar
hoje conhecido como Uttar Pradesh. A partir deste ponto de vista, a incerteza
sobre a história textual do sutra não é uma causa para dúvidas sobre sua
ve4rdade ética e espiritual.
Considerações sobre a transmissão para a China
O venerável mestre Hsüan sumarizou a tradição de transmissão
do sutra da Índia para a China do seguinte modo:
“ O rei de uma das regiões da Índia proclamou que o
Surangama Sutra era um tesouro nacional porque foi um dos Sutras que o
Bodhissattva Nagarjuna trouxe para o palácio do Dragão. Após a proclamação,
nenhum poderia tirar o sutra do país. Ao mesmo tempo, Bhiksu Paramiti tentou
levar o sutra para fora do país, especialmente para a China. Ele levou uma
cópia do sutra para a China e foi parado por oficiais na fronteira. Ele
retornou para casa e pensou em um jeito de levar o sutra. Finalmente, ele
encontrou a saída. Ele escreveu o sutra em pequenos caracteres com uma tinta
muito suave, enrolou-o e selou-o com cera. Ele abriu seu braço e inseriu o
pergaminho abaixo de sua ferida. Em seguida, ele aplicou remédios na ferida
para que ela curasse. (Algumas pessoas dizem que o sutra foi inserido em sua
perna, mas eu penso que este não seria um lugar respeitável para o texto –
abaixo dos quadris – ele possivelmente escolheu um lugar na parte superior do
corpo). Quando a ferida se curou, ele foi para a China e passou pelos oficiais
da fronteira sem algum incidente. Eventualmente, ele chegou em Guagdong, onde encontrou
o oficial Fang Yong, que o convidou para ficar no templo de Guangdong enquanto
traduzia o sutra”.
11. Uma breve explicação de alguns
termos técnicos importantes
Para aqueles que sejam
novos aos ensinamentos Budistas, oferecemos um breve explicação de termos
importantes e conceitos mencionados no Sutra.
No-Self
O ensinamento do
no-self é fundamental para o budismo. Buda não ensinou que nós não existimos,
mas ele ensinou que o sofrimento é causado por nosso apego ao self, uma
individualidade ilusória que não existe. O que é o self que não existe? Não é
apenas a nossa personalidade ou nosso ego, que se identifica em termos de
regras sociais e interações. O budismo nega a existência de um self básico que
pode ser identificado com nosso ser físico, incluso aqui o nosso gênero, e
também com a existência do que é chamado “alma” e ioutros níveis de selfs
espirituais. A existência de um self como uma consciência cósmica que seja
identificado com o universo também é negado. Todos os “selfs” são construções,
designações convencionais que só podem contribuir para o nosso apego à ilusão.
A verdadeira realidade que existe e aquela que nós verdadeiramente somos reside
além de nosso apego à dualidade do self ou qualquer outra dualidade de
existência ou não existência.
Iluminação ou
Despertar
Neste volume,
utilizamos o termo inglês “iluminação” e “despertar” como sinônimos. No
Budismo, quando estes termos são utilizados em seu sentido formal, eles não
conotam uma experiência temporária, mas uma completa e irreversível
transformação de um jeito de ser do Ser no mundo. Apenas através a iluminação
de Buda é perfeita e completa. Bodhissatvas, Sábios Solitários e Arhats
despertaram, mas não possuem a perfeição de seu despertar. Todos os seres
iluminados possuem três vitórias em comum: eles viram através da ilusão do
self, alcançaram vitória permanente sobre a morte e sobre o renascimento e como
subproduto de sua iluminação eles possuem poderes espirituais. Em sânscrito, a
palavra bodhi pode ser traduzida como ‘despertar completo’ e refere neste texto
como o despertar ou iluminação de um Buda.
Darma e Darmas
No Budismo, ‘Darma”
não possui mais o sentido Hindu de obrigações espirituais de acordo com sua
classe. No uso budista, a palavra possui muitos significados:
1) É
um termo geral para os ensinamentos de Buda como um todo (o Darma ou Buda
Darma) e pode designar um ensinamento particular, usualmente um método ou
prática que leva à iluminação.
2) Significa
a realidade que o ser encontra na iluminação – ou sejua, a realidade
fundamental que é emanente no universo inteiro (O reino do Darma)
3) É
um termo para os componentes individuais de um ensinamento, geralmente um item
em uma lista. Ao lado deles existem listas das várias divisões do mundo mental
e físico. Algumas vezes, traduzimos darmas neste sentido como ‘fenômenos’.
4) É
um termo para as informações que entram em nossa mente pelas faculdades da
percepção e para os pensamentos e emoções que surgem em nossas mentes e que são
identificadas pela faculdade da cognição. Traduzimos ‘darma’ neste sentido como
‘objetos mentais’ ou objetos de cognição.
Samadhi
Samadhi é ‘um
concentrado, recolhido, estado de mente e meditação que, concomitante com um
jeito certo de viver, é condição necessária para atingir uma visão mais elevada
e emancipação’.
Existem quatro
sentidos distintos para o uso da palavra samadhi. Primeiro, ela designa o uso
correto do foco mental ou concentração que é necessária para atingir estados
mais profundos de meditação. Segundo, samadhi indica aqueles níveis mais
profundos de concentração mental e estabilidade que podem ser alcançadas
através de uma prática correta. Estes níveis incluem os quatro dhyanas, que
correspondem aos estados de mente dos deuses nos estados do céu e aos quatro
samapattis, que correspondem ao estado de mente dos deuses que planos da
ausência de forma. Terceiro, existem níveis mais profundos de samadhi que são
experimentados por seres iluminados. Quarto, samadhi também pode referir
especificamente ao Surangama (o Indestrutível), que é o estado de mente de
todos os Budas e que é discutido na profundidade deste sutra.
Vacuidade
Existem ao menos três
caminhos pelos quais a ideia de vacuidade pode ser compreendida: no nível
intelectual, na prática e como uma descrição da iluminação.
No nível intelectual,
pode-se dizer que a vacuidade significa que em todos os darmas – todos os
fenômenos, mentais e físicos – falta uma independência existente em si mesmo e
eles existem apenas em dependência com outros fenômenos. Todos os darmas faltam
um pouco dos atributos reais, permanentes e essenciais que os distinguem de
todos os outros fenômenos. Em outras palavras, tudo no mundo, ambos físicos e
mentais, são interdependentes. Nada existe inteiramente em si mesmo, separado,
e com nenhuma relação causal com alguma outra coisa. Todos os darmas são vazios
de algo individual, inerente ao ser.
Uma compreensão da
vacuidade pode ser extendida em um método de prática e em um modo de viver o
vazio em nossa experiência do momento. “Esvaziar nossa experiência” significa,
primeiramente, remover o “eu” e “meu” de cada pensamento que surja na nossa
consciência. A contemplação mantida do vazio do self pode liberar-nos do
centramento do ego e liberar-nos da prisão do egoísmo. Aprendemos a ver nós
mesmo e nossas preocupações, nossos desejos e medos, como vazios – como uma
miragem ou um sonho, como uma bolha efêmera ou um flash de luz. O Sutra do
Diamante diz:
Como estrelas, uma
falta de visão, como uma lâmpada
Uma simulação
enganosa, um cair do orvalho, ou uma bolha
Um sonho, um raio de
luz ou uma nuvem
Assim aquele deve ver
o que é condicionado.
Esvaziarmos a nós
mesmos abre-nos para a completude do mundo.
A experiência do
esvaziamento também elimina as fronteiras que desenhamos para lidar com o mundo
– as paredes que erigimos para proteger a nós mesmos, a relva que colocamos
para fora, e as fantasias das conquistas futuras que mapeamos em nossas mentes.
Esvaziando a nós mesmos deve levar-nos a esvaziar o ‘outro’, o ‘no-self’, e,
assim, aquele self e o outro não serão mais dois. Quando a linha que divide os
dois é apagada, não existe conflito e nada a temer ou ganhar.
Com a iluminação,
surge a realização de que a verdadeira vacuidade é idêntica ao preenchimento de
uma maravilhosa existência. Isso pode ser alcançado através de um trabalho duro
sobre como ser consciente sobre cada pensamento e esvaziar cada um deles, um
por um.
Os cinco agregados
A palavra ‘agregado’
em sânscrito é ‘skandha’, que significa ‘pilha’ ou ‘agregação’. (Uma vez, Buda
ilustrou em seus ensinamentos sobre os agregados com cinco pilhas diferentes de
gramas).
Os cinco agregados –
forma, percepção sensória, cognição, formações mentais e conscienciosidade –
são categorias gerais que juntas incluem tudo o que nós experimentamos no mundo
psico-físico. Por isso eles podem ser ferramentas bem efetivas para o
entendimento dos ensinamentos do no-self. Se alguém analisar todos os aspectos
do que sente para ser o self de alguém, é possível perceber que tudo se
organiza nos cinco agregados.
Mais especificamente,
o agregado da forma compreende o que nós percebemos como se fosse nossos corpos
e o resto do mundo físico. O agregado da percepção sensória compreende as
primeiras cinco faculdades da percepção – olhos, orelhas, nariz, língua e corpo
– e sua ingestão das cinco categorias de informação sensória – objetos visíveis,
sons, odores, sabores e objetos táteis. Nós respondemos a estas sensações com
prazer, desgosto ou neutralidade.
O agregado da cognição
inclui a função de identificar a informação e realizar distinções concernentes
ao dado. Ela também envolve a diferenciação entre conteúdos mentais, poir isso
inclui a percepção mais elevada das funções e dos processos mentais, por exemplo
o uso da linguagem.
O agregado das
formações mentais refere à consciência e a não consciência das forças
volitivas, incluindo intenções conscientes ou atos do desejo, predisposições
inatas resultando em carmas criados em nossas vidas anteriores, e forças
inconscientes ligadas às funções básicas da vida, nutrição e crescimento.
O agragado da
consciência é a base sutil dos agregados da percepção sensória, cognição e
formação mental. Ela consiste em uma sutil distinção da consciência que
distingue a consciência dos objetos de consciência.
Os dezoito
constituintes
Os dezoito
constituintes são as seis faculdades, os seis tipos de objetos perceptíveis, e
as seis conscienciosidades. As seis faculdades são os olhos, orelhas, nariz,
língua, corpo e mente.Os seis tipos de objetos perceptíveis são os objetos
visíveis, sons, odores, sabores, objetos táteis e objetos de cognição. As seis
faculdades e os seis tipos de objetos perceptíveis são conhecidos como “doze
lugares”. Eles são lugares pois chegam aos seres das seis consciências. Ou
seja, o contato entre as faculdade e os objetos é uma condição necessária para
a chegada co Ser do olho-consciência, orelha-consciência, nariz-consciência,
língua-consciência- corpo-consciência e mente-consciência (ver, ouvir, cheiras,
saborear, sensação tátil e cognição).
Sete elementos primários
Os sete elementos
primários são a Terra, que representa a solidez; água, que representa o que é
líquido; fogo, que representa o calor; vento, que representa o movimento;
espaço; consciência visual e conscienciosidade. Estes elementos primários são
qualidades da energia da matéria assim que sejam distinguidos pela mente. Pode
ser de grande ajuda pensar nos elementos primários em três níveis: primeiro,
sua identidade com a Matrix daqueles-que-podem-vir-a-ser, que é a mente
iluminada e a natureza verdadeira dos elementos primários; segundo, sua
qualidade pura e essencial, as quais não experienciamos diretamente e terceiro
o elemento primário que experimentados tão logo eles estejam misturados em
várias proporções em nossos corpos e no mundo.
12. Notas para esta tradução
Já mencionamos alguns
dos desafios que envolveram a tradução para o inglês moderno este texto chinês
do século oito. Talvez a maior dificuldade tenha sido a escolha dos tradutores
chineses que impuseram ao texto um padrão de quatro frases. Frequentemente,
para manter a métrica de quatro caracteres chineses, os tradutores acharam
necessário omitir um ou mais caracteres mesmo que aqueles caracteres fossem
essenciais para o entendimento do texto. Um exemplo para o leitor sobre o texto
chinês é que ele frequentemente envolve uma lista com seis faculdades de
percepção, ou uma lista de seis objetos. Embora os seis objetos sejam
claramente declarados, dois são rotineiramente omitidos para manter a métrica
em quatro caracteres (Uma complicação posterior é que nem sempre os mesmos dois
são omitidos). Em geral, inserimos palavras esclarecedoras e um excerto
explicativo do comentário do venerável mestre Hsüan Huan ou os sentidos omissos
identificados nas notas de rodapé.
Em segundo lugar, o
texto chinês possui parágrafos padronizados e o resultado da repetição tentou
os tradutores chineses para trocar as repetições por uma variedade de
sinônimos. O oposto também é verdade: os tradutores chineses usam um caractere
para indicar uma diversidade de significados – algumas vezes na mesma sentença
e até mesmo em uma mesma frase de 4 caracteres. Alguns caracteres que
significam a mesma coisa traduzimos para o inglês com a mesma palavra, e uma
palavra com múltiplos significados foram traduzidos por múltiplas palavras.
Terceiro, a abundância
dos termos sânscritos, representado no texto por uma transliteração
especializada de caracteres, é uma das presenças que mais desafia o leitor
chinês ao texto. Decidimos não passar adiante essa dificuldade para a versão em
inglês. Deixamos as palavras sânscritas que são familiares para o idioma inglês
(como Darma, karma, nirvana e Bodhissattva) ou aquelas palavras que esperamos
que sejam apropriadas pela linguagem inglesa. Anotamos as palavras sânscritas
nas notas de rodapé.
Em quarto lugar,
embora o texto original em sÇanscrito não seja tão extenso, quase todos os
termos budistas e conceitos aparecem neste sutra e também aparecem em outros
sutras, inclusos muitos dos quais sobreviveram em sânscrito. Por isso, para
estes termos e conceitos, as palavras sânscritas são bem conhecidas.
Ao preparar este
volume foi necessário decidir onde colocar os comentários de uma maneira que
fosse tradicional na Ásia. A maioria dos textos religiosos ocidentais não
possuem comentários. A Sociedade Budista de Tradução de Textos é uma exceção,
tendo realizado uma grande variedade de traduções com comentários dados pelo
venerável Mestre Hsüa Hua. A profundidade destes comentários significa que a
tradução dos sutras mais longos, com comentários, deve seguir numerosos volumes.
Este volume reúne todas as informações em um único livro. Mesmo assim, os
tradutores mantiveram os comentários dada a dificuldade do texto. Foi decidido,
portanto, preservar o formato tradicional da exegeses interlinear e de desenhar
os excertos do venerável Mestre Hsüa Hua quando as passagens do texto
solicitarem alguma explicação.
Os comentários do
mestre Hsüa Hua sobre o Surangama Sutra foram proferidos em formato de
palestras durante o veráo e outono de 1968 em São Francisco. As palestras foram
transcritas e editadas posteriormente e foram publicadas em nove volumes pela
Sociedade de Tradução de Textos Budistas. Além de expicar o próprio sutra, as
palestras foram na ocasião de muitas lições sobre conduta pessoal, prática
espiritual, disciplina monástica e doutrina geral budista. Estas lições,
geralmente dadas em formato de histórias, são de grande valor para qualquer um
que queira seguir um caminho espiritual ou simplesmente deseje uma vida
melhor.Incluímos algumas destas instruções neste volume. Em sua maior parte,
entretanto, e com alguma relutância, citamos neste volume-único a tradução
apenas das passagens explicativas do Sutra. Por isso, os comentários para esta
tradução não são de modo algum uma substituiç~]ao para o comentário completo e
é apenas uma parte representativa da profundidade dos comentários em 9 volumes.
Afortunadamente, o egistro completo das palestras é facilmente encontrado nas
traduções da Sociedade de Tradução de Textos Budistas.
Uma palavra sobre a
neutralidade de gêneros. Quando possível, trocamos os pronomes plurais neutros
“eles” e “deles”. Nem sempre esta alteração foi possível. Primeiro, o Sutra
consiste num diálogo entre dois falantes homens, buda Shamyamuni e seu primo
Ananda. Segundo, como tradutores evitamos anacronismos na língua. Não queríamos
retratar Buda falando de um modo que parecia a nós que ele não falou, por isso
não utilizamos palavras derivadas da ciência moderna ou tecnologia, termos
técnicos da filosofia Européia e fala casual do século XX. Foi nosso desejo
encontrar uma voz para aqueles falantes que fosse formal, precisa, natural e ao
mesmo tempo datada, mas atemporal. É neste contexto que esta tradução reside.
Falantes ingleses se engajaram no último quarto de século em realizar uma
transição para o gênero neutro – para todas aquelas frases com “ele” ou “ela” e
aquelas frases com “eles”. Ao traduzir um documento que existe há tantos
séculos, achamos que o uso repetido destes gêneros neutros é um anacronismo que
tende a distrair sobre a naturalidade e autoridade das vozes dos falantes.
Isso não significa que
o Surangama Sutra sustenta que o gênero masculino tenha vantagem no caminho
espiritual. Não existe um ensinamento como este no Sutra. Na verdade, a cortesã
que joga o feitiço em Ananda na abertura do Sutra e que acompanha Ananda e o
Bodhissattva Manjsri de volta para a assembleia de Buda se torna iluminada
durante o curso do diálogo, alcançando um nível de iluminação maior do que o
Ananda. A iluminação de Yasódara, que foi a esposa de Buda Shakyamuni quando
ele era príncipe, também é mencionada.
Finalmente, algumas
palavras sobre o processo de tradução. Como em outros textos produzidos pelos
membros da Sociedade de Tradução de Textos Budistas, a presente tradução foi
feita em 4 passos distintos. Primeiro, uma tradução que foi completada por um
comitê que inclui falantes do chinês e falantes do inglês. O segundo passo
consistiu numa revisão acxurada de todo o texto. Depois, o texto passou por uma
polida editorial para assegurar a naturalidade e consistência do estilo inglês
e, finalmente, certificar da fidelidade da tradução. Observamos os esforços dos
tradutores anteriores. Sem o trabalho destas pessoas, ao realizar esta
tradução, teria sido mais difícil atingir este objetivo. Entretanto, apesar dos
esforços destas pessoas durante seis anos e meio, reconhecemos que a tradução
não está livre de erros, e pedidos aos estudantes, estudiosos, praticantes e
leitores em geral que apontem quais erros podem ter ocorrido para que possamos
corrigí-los em edições futuras.
Dedicamos qualquer
mérito desta tradução para a paz mundial e para a iluminação de todos os seres.
Ron Epstein e
David Rounda
Co-Chais,
Comite de Tradução do Surangama Sutra
Sociedade
Budista de Tradução
[1] (Nota com a explicação da
palavra em chinês e sânscrito. Não possuo os caracteres chineses). A tradução
segue assim: O Sutra (T. 945) é popularmente conhecido em chinês como Dafogind
Shoulegyanjing, geralmente abreviado como Lengyanjing. O título completo é
Dafoding rulai miyin xiuzheng liaoyy zhu pusa wanheng shoulegyan jing. A
palavra sânscrita surangama significa “indestrutível”, ela combina as palavras
suram (grande, absoluto) e gama (durável, sólido). O texto chinês translitera
as duas palavras sânscrita shou leng yan. Este sutra não pode ser confundido
com o Surangamasamadhi sutra (T. 642) traduzido por Étienne Lamotte como La concentration de la marche héroique (Suramgamasamadhisutra)
(Paris: Instituto Belga de Altos Estudos Chineses, 1965). A sua tradução
francesa foi transposta para o inglês por Sarah Boin Webb (Richmond, UK: Curzon
Press, 1998). A página 38 da tradução de Boin Webb cita a seguinte passagem do
Mahayana Mahaparinirvana sutra (T. 374, ch. 27, pp. 524c’9-525ª11; T. 375, ch.
25 p. 769b1-24): “Suram significa absolutamente (ayanta) e gama significa
sólido (sãra). Aquele que adquire a solidez absoluta é Surangama. É por isso
que a atenção (samadhi) Surangama é a natureza de todos os Budas).
[2] Anterior a esta tradução para o
inglês, a única tradução completa para a língua inglesa foi aquela da Sociedade
de Tradução de Textos Budistas, com um comentário completo pelo venerável
mestre Hsüan Hua, primeiramente publicado em 18 volumes em uma edição lançada
entre 1977 e 1986. Uma edição revisada foi publicada entre 2000 e 2005 como The Shurangama Sutra com um comentário do Venerável Mestre Hsüan
Hua, traduzido pela Sociedade de Tradução de Textos Budistas (Burlingame, CA:
Buddhist Text Translation Society, 2000-05). A primeira tradução para o inglês,
com apenas o primeiro quarto dos dez pergaminhos foi feita por Samuel Beal e
inclusa no A Catena of Buddhism
Scriptures from the Chinese (London: Trubnet, 1871), 284-369. Uma
pequeníssima porção do primeiro pergaminho do Sutra foi traduzida pelo
Reverendo Joseph Edkins como o primeiro capítulo de seus Buddhism: A volume of Scketches, historical, descriptive and critical 2nd
ed (London: Trubner, 1893), 289-301. Em 1938, em conjunção com Bhikshu Wai-Tao,
Dwight Gordon incluiu uma severa tradução de quase um terço do sutra em seu Buddhim Bible (New York: Dutton, 1938),
108-275. Boa parte do texto foi traduzido por Lu K´uan Yu (Charles Luk), em
conjunto com uma tradução do comentário do mestre Chan Hanshan Deqing,
conhecida como The Sugarama Sutra
(Londres: Rider, 1966). Lamentavelmente, ao omitir o Sungarama Mantra e a seção
que descreve a apropriada prática do mantra, o volume de Luk em efeito fica de
fora do coração do Sutra (esta seção é a parte 8 do presente volume).
[3] A passagem sobre os poderes do
Bodhissattva que Ouve o Choro do Mundo rememora uma passagem semelhante do
capítulo 25 do Sutra de Lótus, “Sobre o Portal Universal”. O Surangama Sutra, ao contrário do Lótus
Sutra, explica como o Bodhissatva ganhou aqueles poderes.
[4] A quinta conduta moral é se abster de intoxicantes.