domingo, 17 de junho de 2018


 Estudos sobre o Budismo. Continuação do texto Sungarama Sutra. 


Este é um exercício de tradução, voltado para o estudo, sem  intenção lucrativa ou monetária.


B.    Ananda propõe que a mente reside fora do corpo
Ananda se curvou e disse para Buda: “Agora que ouvi Buda (Thus-Come One) explicar o Darma desse jeito, compreendo que minha mente deve estar localizada fora do meu corpo. Por que digo isso? Por exemplo, uma lâmpada acesa em um quarto certamente iluminará primeiro o interior do quarto, e, depois, sua luz irá brilhar através da porta e alcançará os acessos do pátio além do quarto. Já que os seres não veem dentro do próprio corpo mas apenas veem pelo lado de fora, os seres se assemelham à lâmpada caso ela fosse posicionada fora do quarto, e, daí, ela não poderia brilhar sua luz dentro do quarto. Este princípio é perfeitamente claro e além de qualquer dúvida; ele conforma o último ensinamento de Buda – e, por isso, não pode estar errado, não é[1]?
Buda disse para Ananda: “Os monges que me seguiram até Srãvasti para receber suas esmolas em ordem sequencial voltaram, agora, para o Bosque de Jetri, e eles comem suas refeições com os próprios dedos[2]. Terminei minha refeição, mas considere os monges: eles podem estar satisfeitos quando apenas uma pessoa terminou sua refeição[3]?”
Ananda respondeu: “Não, Nobre e Honrado. Por que não? Estes monges são todos Arhats, mas seus corpos físicos, suas vidas separadas, são distintas. Como pode apenas uma pessoa satisfazer todos os outros a se sentirem completos”?
Buda disse a Ananda: “Então, se a sua mente que vê, é consciente, discerne e e conhece estiver fora do seu corpo, seu corpo e mente seria separada e dissociada de cada uma. O corpo não estaria consciente daquilo que a mente conhece e a mente não teria conhecimento sobre o que o corpo tem consciência. Agora, enquanto suspendo minha mão, que é tão leve quanto o algodão, sua mente a distingue enquanto seus olhos a observam”?
Ananda responde: “Sim, Homem Honrado pelo Mundo”.
Buda contou para Ananda: “Então, se sua mente e olhos trabalham em conjunto para perceber minha mão, como a mente pode estar fora do corpo? Desse modo, você pode conhecer que, quando você diz que a mente que é consciente e faz distinções está fora do corpo, você está afirmando o que é impossível”.
O Buda mostra que a mente que é consciente, sabe e faz distinções está fora do corpo, então não existirá nenhuma conexão entre as duas... O corpo não pode estar consciente sobre a mente ou ser influenciada por ela. Se a sua conscienciosidade está em seu corpo, sua mente não deveria ter consciência sobre isso... Mas se sua mente sabe o que os seus olhos estão vendo, como você pode dizer que sua mente está fora do seu corpo?... Note, entretanto, que o Buda não diz que a mente está dentro do corpo. Ele já manteve bem claro que isso, também, é um erro... Ananda apenas sabe como analisar os ensinos de Buda por meio da sua mente consciente, que passa a ser e deixa de ser. Ele não está consciente da continuidade da verdadeira mente (I, 179-81).
C.     Ananda propõe que a mente é uma faculdade da mente
Ananda disse para Buda: “Aquele Honrado pelo Mundo, é assim como o Buda tem dito. Porque eu não vejo dentro do meu corpo, minha mente não está localizada lá, e porque o corpo e a mente trabalham juntos e não estão separadas umas das outras, minha mente não está fora do meu corpo també. Agora veja o que eu penso sobre isso, eu sei justamente onde está a mente”.
Buda disse: “Onde ela está, então”?
Ananda disse: “Porque a mente que discerne e é consciente nada sabe sobre o que existe dentro, mas pode ver o que existe gora, eu acredito, após refletir, que a mente está escondida nos olhos. Por hora, deixe-nos dizer que alguém coloque um copo de cristal transparente sobre seus olhos. Embora o copo de cirstal cubra seus olhos, ele não irá obstruir sua visão. Dessa maneira os olhos podem ver e criar discernimentos apropriadamente. Assim também, minha mente que é desperta e sabe não pode ver o lqado de dentro porque ela está na faculdade da visão.  Ela fixa sobre o que está fora do corpo, vendo claramente e sem impedimento, pela mesma razão: a mente está escondida dentro dos olhos”.
Ananda diz; “Eu acredito” e “após refletir”. Ainda é a sua mente ordinária que está em operação, em trabalho. Nós refletimos e consideramos com a nossa mente ordinária, a mente que aparece no ser e deixa de existir.
Ananda não entende, anida, para onde o Buda o está levando. Em geral, as pessoas não podem esperar compreender o Surangama Sutra tendo estudado até aqui. É necessário estudar o Sutra completo; a partir daí você começará a entendê-lo.... Não há sentido em dizer para você: “Eu não entendo este Sutra, então eu não irei estudá-lo”. É precisamente porque você não o entende ainda que você deve estudá-lo “I, 183).
Buda diz parta Ananda: Vamos assumir que a mente está escondida nos olhos, como você asseverou na sua assertiva dos critais. Quando a pessoa do seu exemplo coloca o copo de cristal sobre seus olhos e olha para as montanhas, os rios, e tudo o mais nesta grandiosa Terra, ele vê o copo de cristal também”?
“Ele vê sim, Homem Honrado pelo mundo. Ele vê o copo de cristal quando o posiciona sobre seus olhos”.
Buda diz para Ananda: “Se, de fato, sua mente pode ser comparada com os olhos de outra pessoa com um copo de cristal colocado sobre eles, então quando você olha para o mundo dos objetos perceptíveis, porque você não vê o seu própio olho? Se você pode ver os seus olhos, os seus olhos seriam parte dos arredores externos. Mas assim sua mente e seus olhos não podem trabalhar juntos e fazer distinções. E, desde que você nao possa ver os seus olhos, por que você diz que a mente que é consciente e faz distinções é aliada e concebida dentro da faculdade do ver, como no exemplo dos olhos com copos de cristal posicionado sobre eles? Saiba, então, que quando você diz que a mente que é desperta e faz distinções é concebida na faculdade do olho, como olhos com copos de cristais posicionado sobre eles, você assevera o que é impossível.
Buda mostra que, se Ananda pudesse ver seus olhos, isso significaria que seus olhos deveriam estar fora dele e, não, serem uma parte do seu próprio corpo. Mas se eles estivessem fora do seu corpo, ele não estaria apto para os ver, porque os olhos precisam estar conectados à mente para completar o processo de ver (I, 187);
D.    Ananda reconsidera Ver Por Dentro e Ver Por Fora
Ananda disse para Buda: “Homem Honrado pelo Mundo, eu agora ofereço uma reconsideração. Nossas vísceras são localizadas dentro de nossos corpos, enquanto nossos orifícios são abertos para o exterior. Nossas vísceras são concebidas na escuridão, mas nos orifícios existe luz. Agora, encarando Buda, com meus olhos abertos, eu vejo a Luz. Ver esta luz eu chamo de “ver para fora”. Ver a escuridão quando eu fecho meus olhos eu chamo de “ver por dentro”. Como soa esta ideia[4]?
Ananda é mais inteligente do que nós. Nõs não conseguiríamos pensar em tantas maneiras para responder. Quandas opões ele já apresentou? Ele tem uma opinião após a outra. Para qualquer coisa que o Buda pergunte, ele possui uma resposta. Ele sempre encontra algo para dizer; ele está cheio de teorias e argumentos e pensamentos e considerações. Ele está, ao fim de tudo, avançado entre os discípulos em seu aprendizado (I, 189)
Buda diz para Ananda: “Considere esta questão, então: quando você fecha seus olhos e vê a escuridão, existe a escuridão diante dos seus olhos? Se a escuridão está diante dos seus olhos, como ela pode estar dentro? Mas se de fato ela estiver do lado de dentro, então se você estiver em um quarto completamente escuro porque não foi iluminado pelo sol ou pela lua ou por lãmpadas, a escuridão do quarto deveria ser a mesma escuridão de suas próprias partes internas. Além disso, se a escuridão não estiver dentro de você, como você pode vê-la[5]? Mas suponha que você vê por dentro de uma maneira que distingue da maneira que você vê por fora. Neste caso – se nós assumirmos que fechar os olhos e assim ver a escuridão significaria ver a escuridão dentro do nosso corpo – então, se você abrir os seus olhos e ver a luz, porque você não vê a sua própria face? Desde que você não pode ver a sua própria face, não há como você ver por dentro, porque se você pudesse ver sua face, então seus olhos e também sua mente que conhece e que compreende deveria ficar suspensa no ar. Então, como elas seriam uma parte do corpo[6]?

Buda continua o seu questionamento... Ananda argumenta que ver a escuridão é ver dentro do corpo; então, quando uma pessoa abre os olhos para olhar para fora, esta pessoa deve ser capaz de ver sua própria face... Mas se uma pessoa não pode ver sua própria face com seus olhos abertos, como pode isso acontecer ao fechar os olhos e, assim, ver o que há por dentro? O que Ananda defende não possui base, de fato (I, 191).
“Se seus olhos e mentes estiverem realmente suspensar no ar, então isso, por consequência, deve indicar que ela não é parte de seu corpo. Se, entretanto, eles forem parte do seu corpo e, ainda, estiverem suspensas no ar, então o Buda, que agora vê sua face, seia parte do seu corpo, também. Então, quando os seus olhos se tornam conscientes de algo, o seu próprio corpo deve estar inconsciente disso. Se você persegue este ponto e diz que o corpo e os olhos possuem, cada um, consciências diferentes, então você deveria ter duas consciências para que você, uma pessoa, pudesse eventualmente se tornar dois Budas. Ainda mais, você deve saber que ver a escuridão é ver o lado de dentro, o que você assevera é impossível[7].
E.    Ananda propõe que a mente vem ao ser em resposta a condições
Ananda disse para Buda: “Ouvi dizer que Buda ensina as quatro assembleias que porque um estado de mente surge, vários objetos percebidos surgem, e porque os objetos percebidos surgem, vários estados de mente surgem. Estou, agora, pensando, no ato preciso de pensar que é uma instância de um estado de mente surgindo em resposta a objetos perceptíveis, na natureza verdadeira de minha mente. Já que a mente passa a ser ao combinar objetos percebidos sempre que eles aparecem. Ele não existe em apenas um das três localizações – dentro, fora e no meio”.
Daí, Buda disse para Ananda: “Agora, você está dizendo que quando os objetos percebidos surgem, vários estados de mente surgem, e por consequência, a mente vem a ser ao combinar com todos aqueles objetos percebidos em qualquer momento que eles apareçam. Mas uma mente como essa não teria nenhuma natureza essencial própria, e não poderia se combinar com nada. Se, ao não possuir nenhuma natureza essencial em si mesma, ela ainda estiver apta a se combinar com a natureza percebida dos objetos, então deveria existis um décimo nono elemento constituinte da percepção, porque uma mente como essa deveria estar combinada com as décima sétima categoria de objetos percebidos – e isso é impossível[8].
Buda refuta a nossa proposição de Ananda como se segue. Se a mente possui localização mas não possui uma natureza essencial, ela deveria existir fora dos dezoito elementos constituintes da percepção. Os dezoito elementos constituintes são as seus faculdades perceptíveis, os seis tipos de elementos percebidos correspondentes às faculdades perceptíveis, e as seis consciênciosidades[9]. Buda mostra que a extensão lógica do argumento de ananda é que existe um décimo nono elemento constituinte, um lugar no qual uma suposta mente insubstancial aparece ao cer e, daí, de “combina com os elementos perceptíveis”. Os objetos da mente deveriam se combinar e deveriam constituis uma sétima categoria de objeto perceptível. Mas não existe esta categoria de objetos (I, 196-6).
“Além disso, se uma mente como essa tivesse uma natureza essencial em si mesma, daí, se você tivesse que beliscar a você mesmo, onde estaria a mente que tem consciência de onde vem o beliscão? Ela deveria vir de dentro do corpo, ou deveria vir do lado de fora? Se ela viesse do lado de dentro, então, mais uma vez, você veria o lado de dentro do seu corpo. Se ela viesse do lado de fora, você veria a sua face, primeiramente[10].
Ananda diz: “São os olhos que veem. É a mente, e não os olhos, que é consciente. Supor que é a mente que vê não é a minha ideia”.
Buda diz: “Se os olhos podem ver, então, por analogia, quando você estiver em um quarto, deveria existir um corredor, não você, que vê o que há fora do quarto. Não apenas isso: quando alguém morrer com seus olhos intactos, seus olhos ainda poderiam ver. Mas como pode uma pessoa morte ver?
“Ananda, se a sua mente que é desperta e sabe e faz distinções verdadeiramente tiver uma natureza essencial em si mesma, então ela debe ter uma natureza essencial única ou múltiplas naturezas essenciais? Deveria essa natureza essencial permear o seu corpo o unão? Suponha que exista uma única natureza essencial: então, se você beliscar um membro, você não deveria sentir aquele beliscão em todos os quatro membros? Se você fizer, o sentimento do beliscão não deveria estar confinado em um único local. E se o sentimento do beliscão estiver confinado em um único local, ele deveria seguir que a sua mente tem apenas uma única natureza essencial. Mas se sua mente tiver múltiplas naturezas essenciais, você deveria ser múltiplas pessoas. Qual das naturezas essenciais você seria? Além disso, se uma única natureza essencial permeia o seu corpo, então um único belisção – como no exemplo anterior – deveria ser sentido por todo o seu corpo. Mas se a essência mental não permeia o seu corpo, então se você tocar sua cabeça e tocar o seu pé no mesmo momento, você sentiria o toque na sua cabeça, mas não sentiria o toque em seu pé. Ainda, não é isso o que a experiência é[11].
“Mais ainda, você deve saber que quando você diz que a mente vem a ser ao combinar com objetos percebidos tão logo eles apareçam, você assevera o impossível”.


[1] Nesta passagem, Ananda oferece uma segunda proposição e ele leva adiante por sua própria vontade que é muito similar à primeira proposta por Buda.
[2] Uma maneira tradicional de se comer na Índia.
[3] Seguindo as convenções para iniciar um silogismo, Buda sugere um fato da vida ordinária para demonstrar a verdade do que ele propõe, qual seja, a falsa proposição de Ananda ao sugerir que a mente esteja localizada fora do corpo. Ele aplica a instância de sua proposição na sentença inicial “Então, se sua mente que vê...” e conclui na sentença inicial “Deste modo, você pode conhecer...”. Este padrão é repetido para refutar cada uma das proposições de Ananda a respeito da localização da mente.
[4] Ananda agora propõe, em sua quarta suposição, que o que é escuro é interno e o que é luminoso é externo, asism ele pode retornar para sua primeira proposição, que a mente é localizada dentro do corpo. Se dentro do corpo for escuro, as objeções de Buda de que a mente deveria ver os órgãos internos primeiro é removida.
[5] Buda acaba com a nova posição de Ananda em dois estágios. Ele, primeiramente, anaisa a escuridão que é vista quando os olhos estão fechados. Conforme o entendimento budista sobre a percepção, o que nós vemos, inclusa a escuridão que vemos quando nossos olhos estão fechados, deve existir antes da faculdade da visão, na intenção de que a faculdade da visão a perceba, e depois ela deve estar fora do corpo, não dentro dele. Assim, observando o caso da escuridão que vemos quando nossos olhos estão abertos, a exemplo de um quarto que esteja completamente escuro, Buda apresenta que a escuridão é interna, como Ananda fala, e daí tudo que tivr um grau de escuridão externa deve estar dentro de nossos corpos.
[6] Se alguém vê a escuridão interior e a luz exterior, então, embora a face não possa ser vista como uma parte do mundo externo iluminado, ela deveria ser vista como um opósito iluminado interno. Ou, se colocarmos de outra maneira, quando alguém abre os olhos e vê o ambiente externo ilunimado, ele não pode virar a visão dele mesmo para ser sua própria face; opr que, então, deveríamos supor que quando os olhos de alguém está fechado, este alguém pode virar sua visão e observar a escuridão que existe em seu próprio coropo? Se a face própria de alguém pudesse ser vista – se ela tivesse se tornado parte comum de um ambiente externo – ela deveria ser externa para a mente e para os olhos daquela pessoa. Já que a face é parte do corpo, os olhos e mente deveriam, então, flutuar em um espaço vazio, externo ao corpo. O Buda continua a explicar para Ananda que os seus olhos e mente não são parte do seu corpo, então seu corpo deve ser um objeto externo como qualquer outro. Ou vice versa: se a mente e olhos de ananda são partes do seu corpo depois de tudo, a despeito destes entes estarem suspensos no espaço, então os olhos e mentes da pessoa, que também seriam externos ao corpo de ananda, deveriam ser partes do seu própprio coro. Além disso, Buda conclui que isso deve ser o caso que “Buda, que agora v~e sua face, deveria ser parte do seu corpo também”.
[7] Na segunda parte de sua refutação, Buda altera seu foco do que é visto para aquilo que é visto por alguém. Ele mostra que, se os olhos e a mente são separadas do corpo, então sua consciência é localizada nos olhos e na mente, o corpo é deixado com nenhuma consci~encia. Se os dois, entretanto, tiverem suas próprias consci~encias separadas, e estocarem duas diferentes formas de conhecimento, então dois diferentes tipos de consciência estariam envolvidas, e, portanto, duas pessoas diferentes. Mais adiante, Buda conclui que: “você, uma pessoa, poderia, eventualmente, se tornar dois Budas”.
[8] Buda discute a ramificação das novas proposições de Ananda em termos de natureza essencial e de localização da mente. Primeiro, se a mente não possui natureza essencial em si mesmo, ela é desprovida de uma localização ou tem uma parca localização. Segundo, se a mente realmente não possuir nenhuma natureza essencial, então (a) para estár de acordo com as condições ela deve ter um lugar definitivo, assim que ela se mode de uma seleção de combinações para a próxima e (b) ela deve ser composta tanto de uma única naturerza essencial que permeia o corpo ou múltiplas naturezas essenciais. Se a mente não possui uma natureza essencial em si mesma, não faz sentido falar sobre isso unindo-a a uma outra coisa qualquer. Ela teria uma localização sem uma natureza essencial, não deveria estar localizada em nenhum dos dezoito elementos constituintes (SKC. Dhãtu), que contradiz os fundamentos dos ensinos budistas.
[9] Contato entre faculdade e objeto é necessário mas não uma condisão suficiente para o surgimento de uma das seis conscienciosidades.
[10] Ao referir um exemplo de uma pessoa beliscando a si mesma, Buda morra que não é lógico supor que a mente tem uma natureza essencial e, ainda, não possui um local definitivo. Conforme a ideia de Ananda, a mente não pode existir até que condições necessárias apareçam. Um beliscão é localizado na fronteira entre o interno e o externo, por isso, antes que a mente posa aparecer em existência na localização do beliscão, a natureza essencial da mente deve estar localizada ao mesmo tempo dentro e fora do corpo – possibilidade alternativa que já fi refutada.
[11] Buda diz que a mente é composta de uma única natureza essencial que permeia o corpo, que o belisção do corpo deve ser discernida não apenas na sua atual localização mas por toda a extensão da mente (i.e, por todo o corpo). Por outro lado, se a mente é comporta de mais de uma natureza essencial, então Ananda deveria ser duas pessoas, como o Buda demonstrou ao refutar a quinta suposição de Ananda. Se a mente tivesse uma única netureza essencial que não permeasse o corpo, então quando a pessoa tocasse a cabeça e o pé ao mesmo tempo, ela não estaria consciente dos dois ao mesmo tempo.