quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O Sutra Coração Prajna Paramita.

Este texto é um exercício de tradução e serve para fins de estudo. Tradução espontânea, sem revisão.

O Sutra Coração Prajna Paramita com versos sem um suporte e um comentário em prosa com os comentários do Venerável Tripitaka Master Hsuan Hua

Traduzido para o português a partir da versão inglesa realizada pela Buddhist Text Translation Society.

Primeira Introdução
Este livro é extraordinário por incontáveis maneiras. É um dos registros de sabedoria que podem ser consultados, folheados ou lidos diligentemente muitas vezes com inestimável benefício, pois cada repetição revela ao leitor uma nova profundidade ou um novo horizonte. Em um livro dez vezes mais extenso, a pessoa pode não elogiar completamente o seu valor como uma chave para compreender a vida humana.

O centro deste livro é o Sutra Coração Prajna Paramita em si mesmo. Com apenas dezesseis sentenças em inglês e meros 262 caracteres em chinês, o Sutra Coração - como é conhecido - é nada menos do que a ideia de sabedoria de Buda condensada. Ele ensina perfeitamente os ensinamentos do não-agarramento, que é a doutrina da vacuidade. Como o venerável mestre Hsuan Hua diz em seu comentário, é o coração do coração no interior do coração. Por mais de dois milênios foi recitado diariamente nos monastérios budistas, conventos e albergues, numa prática que continua até hoje e agora cresce em todos os continentes da Terra. Provavelmente, alcança o milhar o número de seres humanos que estudaram, memorizaram, recitaram e guardaram o Sutra Coração.

O Sutra Coração é uma soma, não uma introdução. Ainda porque apresente apenas os tópicos essenciais, é utilizado na tradição Budista como um texto apto para introduzir os ensinamentos para novos estudantes. Leitores modernos que são novos no treino do Budismo fazem o melhor ao iniciar seus estudos por este volume. A presença dos comentários explicativos, entretanto -alguns como os do venerável mestre Ksuan Hua (inclusos aqui) – tornam o Sutra Coração mais acessível aos estudantes, praticantes do Caminho, e também aos leitores ordinários. Apenas os mais avançados mestres podem esperar atingir o profundo conteúdo do Sutra por si mesmos sem a adição de um professor. Alguém que explique os significados é necessário para a perfeita compreensão dos sentidos tão condensados no texto. Verdadeiramente, não apenas o Sutra Coração, mas todas as escrituras budistas, desta mais curta ao Avatamsaka Sutra – a mais extensa de todas – são melhor estudadas com os comentários explicativos, que são dados tanto em palestras como em poemas e ensaios, proferidos por mestres iluminados que realizaram os princípios básicos dos sutras em suas próprias vidas.

Por que a experiência espiritual, mais do que o profundo conhecimento por si mesmo, necessitam dos comentários como pré-requisito? Os ensinamentos de Buda são muito profundos. A formulação concisa do Sutra Coração pode parecer extremamente difícil à primeira vista. Os ensinamentos não são meras abstrações que só poderiam ser compreendidas apenas com o saber de um especialista. A preocupação do Sutra Coração e todos os sutras de Buda fala simplesmente da morte e vida dos seres viventes. O que Deus é, o que é o Mal, o que o mundo é, por que nós nascemos e para onde vamos quando morrermos, o que fazer conosco uma vez que não estivermos mais no mundo, como podemos parar o nosso sofrimento e encontrar felicidade verdadeira para nós e para os outros: são estas as questões respondidas por Buda. Ele falou apenas sobre o que realmente importa. Na sua vida, ele abriu mão das riquezas, poder, fama e dos prazeres momentâneos na intenção de atingir o que as pessoas realmente precisam: compaixão e sabedoria. Para isso, ele proferiu os sutras para ensinar aos outros como fazer o que ele descobriu como fazer. Se os sutras são livros de conhecimento, então, eles o são apenas na intenção de servir ao seu propósito maior de guiar seres na vida e na morte. Para falar ou escrever um comentário explicativo de um dos sutras de Buda, não é necessário ser um pesquisador, embora o treino estudioso possa ajudar. A pessoa, a exemplo do grande mestre Hui Neng, do Sexto Patriarcado na China, pode ser incapaz de ler uma única palavra. O que o comentador deve ser é um Mestre da Vida e da Morte, uma pessoa que realizou em seu próprio coração o que realmente é necessário para ser um Ser Humano.

Os dois comentários que se seguem nas próximas páginas, iluminando e tornando claras os significados sutis do Sutra Coração são o trabalho do venerável mestre Hsuan Hua.O venerável  mestre combina em uma mesma pessoa as qualidades de estudioso do Budismo e uma mestria dos princípios de vida contidos no sutra. É seguro dizer que esta combinação, muito comum nos tempos em que o Budismo florescia na Ásia, pode nos nossos dias ser enormemente difícil – se não impossível de encontrar em outros lugar que não seja aqui. Nestes dois comentários – um escrito em verso e o outro em prosa – o venerável mestre atém-se à luz do conhecimento e luz das sentenças preciosas do Sutra e, por isso, cada faceta brilhante do sutra brilha em muitos diferentes planos dos ensinamentos de Buda. As famosas listas Budistas – os oito caminhos erguidos, que pertencem às trinta e sete categorias de iluminação; as quatro verdades, os três sofrimentos e os oitos sofrimentos, os três obstáculos, os oito ventos, os seis básicas aflições e vinte subsidiárias – cada uma dessas são explicadas em pormenor neste volume. O mesmo ocorre com as palavras em Sânscrito que já foram aceitas na linguagem inglesa como uma tradição suprema e antiga – Budha, Bodhissattva, Dharma, Sangha, Arhat, samadhi – e as doutrinas que já começaram a mudar o escopo mental do ocidente moderno : karma, preceitos, respeito pela vida, sair de casa, iluminação. Por todas explicações claras e vivas – algumas vezes graciosas, outras contundentes – o venerável mestre nunca falha de guiar o leitor de volta ao ensinamento central do Sutra: o não agarramento, que é a base da compaixão e sabedoria da iluminação.

O nascimento do venerável mestre Hsuan Hua foi um começo extraordinário. Em um sonho, sua mãe viu Amita Buddha emitindo uma luz brilhante inundando todo o mundo e ela acordou dando a luz ao mestre enquanto uma rara fragrância espalhava-se no quarto. Ele tinha apenas 11 anos quando decidiu dedicar sua vida para cultivar os ensinamentos de Budha. Enquanto brincava com amigos, ele viu o corpo morto de uma menininha bebê e, não sabendo do que se tratava, ele voltou para casa para perguntar. Um amigo da casa informou que a morte era inevitável para todos, a não ser que eles fossem capazes de acabar ao mover a roda da vida e da morte ao seguir os passos dos Budas. Ele resolveu sair da vida de casa imediatamente para se tornar um bhikshu, um monge Budista. Ele honrou o pedido de sua mãe e manteve-se na casa dos pais até a morte deles, para cuidar dos dois em suas vidas anciãs.

No ano seguinte, no aniversário do Bodhissattva Avalokteshvara, o mestre sonhou que uma anciã vestindo uma roupa de monges ordenados e um cordão de contas. Ela apareceu para guia-lo através da selvageria na qual ele estava perdido. Ela irradiou compaixão enquanto o guiava pela rua que estava repleta de buracos profundos e perigosos. Ele sabia que se houvesse transposto  o caminho sozinho seria bem mais difícil, embora não impossível de chegar em segurança. Enquanto ela o guiava, o caminho se tornou mais suave e seguro e ele podia ver perfeitamente em todas as direções. À frente, estava sua casa. Olhando para trás, ele viu muitas pessoas o seguindo – novos e velhos, homens e mulheres, Sangha e estudiosos. “Quem são essas pessoas?”, perguntou. “De onde vieram e para onde vão?”

“Eles possuem afinidades com você”, ela disse, “e eles também querem ir para casa. Você deve guia-los bem e deve mostrar para eles o Caminho e, desse modo, todos podem chegar com tranquilidade ao Nirvana. Eu tenho um trabalho importante a fazer em outro lugar e devo deixar você agora, mas nos reencontraremos”.

O mestre perguntou o nome dela e onde ela vivia. “Você irá me encontrar quando chegar em casa”, ela disse, “Não há necessidade de perguntar muitas coisas”. De repente, ela desapareceu. O mestre guiou as pessoas com segurança até casa e acordou de seu sonho sentindo-se extremamente feliz.
Durante aquele ano, ele começou se curvando aos pais três vezes para cada um,  pela manhã e pela tarde, doze curvaturas ao dia. Então, ele pensou: “O mundo é maior do que meu pai e minha mãe” e ele começou a curvar-se para os céus, para a Terra, para o Imperador e para seus professores. Ele curvou-se para os Budhas, Bodhissattvas, para os Iluminados, para os Arhats e para todas as boas pessoas do mundo na intenção de agradecê-los, em benefício de todos que eles haviam ajudado, por todos os gestos bons realizados.

“Más pessoas são de sentir pena”, ele pensou, e curvou-se para eles, pedindo que as ofensas carmicas caso eles aprendessem a se arrepender e a se reformarem. Ele pensou em si mesmo como o pior dos ofensores. Ele pensou cada vez mais em pessoas para se curvar até que ele estava curvando-se 837 vezes de manhã e 837 vezes na tarde, por volta de 3 a 4 horas por dia.

O mestre não deixava que ninguém o visse se curvando. Ele acordava às 4 da manhã, lavava seu rosto, ía para fora, acendia um incenso e curvava-se a despeito do tempo. Se houvesse neve no chão, ele curvava-se na neve. Durante a tarde, após todos na casa terem ido para cama, ele ía para fora e curvava-se novamente. Ele manteve essa prática por seis anos.

A sua devoção filial, que se tornou conhecida além de sua vila, tornou-o conhecido como Filial Son Pai. Quando sua mãe foi enterrada, ele manteve-se ao lado de seu túmulo, onde meditou por três anos.O vento do inverno, a chuva e a neve não o impediam. Ele vestia apenas um robe e comia uma vez por dia quando ofereciam comida a ele. Ele saiu de sua vigília apenas uma vez, quando foi para o templo das Três Condições no P´ing Fang.

Ao lado do túmulo de sua mãe, o monge leu muitos sutras. Quando ele leu pela primeira vez o flor de Lótus Sutra ele pulou de alegria. Ele ajoelhou-se e recitou os versos por sete dias e sete noites, esquecendo-se de dormir, comer e, em um momento, o seu sangue subiu aos olhos e sua visão esmaeceu. Então, ele leu o Shurangama Sutra, investigando o grande Samadhi e contemplando-o silenciosamente: as três paradas, as três contemplações, sem se mover e sem estar quieto. O mestre disse sobre essa experiência:

Comecei a obter uma mente singular e uma profunda permanência, iniciei a penetrar no estado de noema. Quando lia o Sutra Avatamsaka, a iluminação se tornava um escopo sem limite, indescritível em sua magnificência, insuperável em sua segurança** (loftness – sótão, pombo) e inefável em sua clareza. O mestre nacional Ch´ing Liang disse:
Abrindo e fechando o misterioso e sutil
Compreendendo e expandindo a mente e seus estados
Exaurindo o princípio enquanto penetramos na natureza
Penetrando os resultados que incluem a causa
Profundo, amplo e misturado
Vasto, grandioso e totalmente completo.
É certamente isso! Isso é certo” Naquele tempo, eu não pude colocar a experiência em texto, então eu me curvei e recitei o Grande Sutra. Fiz votos para ver em mim a sua vasta circulação.

Quando os deveres filiais do Mestre foram completos, ele foi para reclusão na caverna de Amithaba à leste de sua vila. Devotou-se na meditação dhyana e praticou um rigoroso ascetismo, comento apenas sementes de pinhos e bebendo água da primavera. A área era cercada por animais selvagens, mas eles nunca perturbaram o mestre. Lobos e ursos comportavam-se como animais domesticados, tigres paravam para ouvir suas instruções e pássaros selvagens ouviram o Dharma maravilhoso.

Após sua estada nas montanhas, o mestre retornou para o monastério das Três Condições onde trabalhou incansavelmente para a propagação do Dharma e onde ajudou o mestre Ch´ang Chih e Ch´ang Jen para expandir o monastério. Durante estes anos, ele visitou muitos templos budistas locais e permaneceu em meditação intensiva e sessões de recitação. Caminhou muitos quilômetros para ouvir leituras e palestras dos sutras em adição às suas próprias leituras. Ele visitou muitos templos não-budistas e aprendeu através de suas crenças.

Em 1946, o mestre fez uma peregrinação até a montanha de P´u T´o, onde recebeu a completa ordenação de Bhikshu em 1947. Em 1948, após 3.000 quilômetros de viagem, ele atingiuo monastério de Nan Hua perto de Canton e curvou-se diante do venerável mestre Hsu Yun, o 44º. Patriarca da linhagem de Buda Shakyamuni. Em seu primeiro encontro, o venerável mestre Yun, que tinha 109 anos na ocasião, reconheceu o mestre como um vaso valioso do Dharma e um dos seres capazes de sua propagação, ele certificou a habilidade espiritual do Mestre e transmitiu a ele o maravilhoso selo mente a mente de todos os Budas. Isso foi certificado por um documento, solidificando a linhagem pura de transmissão do Dharma.

Desde 1950, o mestre saiu de sua função de diretor do instituto hynaiahna Nan Hua para o estudo de Vinaya, no Nan Hua e seguiu para Hong Kong. Ele viveu em uma montanha nos novos territórios, até que um grande fluxo de membros do Sangha solicitaram sua ajuda para estabelecer novos monastérios e templos. Ele mesmo abriu dois templos e um centro de leitura e ajudou a levar adiante a construção de muitos outros. Ele viveu em Hong Kong por doze anos. Durante esse tempo, milhares foram influenciados por sua cultivação árdua e sua maravilhosa maneira de buscar a refúgio nas Três Jóias, em cultivar a porta do dharma ao recitar o nome de Budha e ao propiciar a divulgação do Budhadharma. O mestre financiou a execução de muitas imagens sagradas e impressão de sutras e de leituras do Dharma. A sua grande compaixão nos Dharmas da Cura continuam a aliviar o sofrimento de muitos.

Em 1962, o mestre trouxe o Dharma para a América, onde ele se estabeleceu em São Francisco, iniciou uma meditação e esperou para que passassem as causas para os cortes de seus frutos. No começo dos anos de 168, o Mestre declarou que a flor do Budismo deveria florescer no ano com cinco pétalas. Em junho, o Mestre iniciou uma conferência de 96 dias de Dharma com o Shungarama Sutra e cinco dos discípulos americanos saíram de casa e tornaram-se bhikshus e bhikshunis sob a guiança do Mestre. Durante essas décadas, milhares de pessoas saíram de suas casas em América e buscaram pela guiança do Mestre.

Desde 1968, o mestre finaliza comentários completos no Sutra Coração, Sutra Vajra (Diamante), Jóia-Dharma dos Sexto Patriarcado, Sutra Amithaba, Sutra of the Past Vows of Earth Store Bodhissattva, Sutra, Grande Coração de Compaixão Dharani, Sutra Flor de Lótus, Sutra em 42 seções, Shramanera Vinaya e outros. Em Junho de 1971, ele começou e em 1979 ele terminou os oitos anos de palestras sobre o Sutra Avatamsaka, o Sutra do Reino do Dharma. Estes textos, em conjunto com os comentários do Mestre, são traduzidos para o inglês e outras línguas do ocidente pela Sociedade Ocidental de Tradução de textos Budistas. Já foram publicados 32 volumes.

Em 1971, o Mestre estabeleceu o Monastério da Montanha de Ourio em São Francisco como um lugar para a prática do budismo ortodoxo. O mestre fez um voto para que, onde ele fosse, ele levasse o Dharma para que o Dharma dos Tempos Finais não aparecesse. A Doutrina da Montanha de Ouro expressa a força deste voto:

Congelando, nós não maquinamos
Morrendo de fome, nós não imploramos
Morrendo de Pobreza, pedimos por nada.
Nós acordamos com situações, mas nõs não mudamos
Não mudamos conforme as condições
Estes são os três grandes princípios.
Renunciamos nossas vidas para realizar o trabalho de Budha
Modelamos nossas vidas para criar habilidades
Para realizar revoluções no ordenamento de Shanga
Em nossas ações, nós compreendemos princípios
Desse modo, nossos princípios são revelados em nossas ações
Carregamos o pulso do Patriarcado selado de mente em mente.

Em 1976, o Mestre estabeleceu a Cidade dos 10.000 Budas, um lugar de 420 acres com 60 prédios na Califórnia. A cidade oferece aos estudantes sinceros e cultivadores uma grande variedade de portas onde eles podem encontrar suas próprias sabedorias na intenção de beneficiarem a si mesmos e a todos os seres sencientes.

Na América, milhares de pessoas tomam refúgio nas Três Jóias e aceitam o Mestre como seu professor. O mestre fez votos de que até que Todos os seus discípulos se tornem Budhas, ele permanecerá um não Budha. Ele irá esperar. Enquanto isso, ele gira a roda do Dharma continuamente e usa todas as oportunidades para ensinar e transformar as vidas dos seres viventes.

Gelo no céu
Neve no chão
Pequenas criaturas inumeráveis podem morrer no frio
Ou dormir em hibernação
Contempla no meio da permanência
Investiga o meio do movimento
Quando você briga com dragões
E subjuga tigres como um esporte constante
Fantasmas choram e espíritos lamentam
Em transformações mágicas estranhas
O sentido do que é realmente real
É asseverado por palavras
Não podem ser pensadas
E você deve se mover rapidamente
Com o grande e o pequeno destruídos
Sem dentro e sem fora
Cada monte de poeria
Contém o reino completo do Dharma
Completo, inteiro e perfeitamente fundido
Interpentrado sem obstruções
Com dois punhos fechados
Quebrando a cobertura do espaço vazio
Engolido na boca
Da fonte do oceado da Terra Pura dos Budas
Com bondade e compaixão resgatamos todos
Sem poupar sangue ou suor
E sem nunca pausar para descansar.
Venerável Mestre Hua

Introdução de Kuo Chuo rounds.

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