Continuação da Tradução do Surangama Sutra, comentado pelo venerável mestre Hsuan Hua. Versão em inglês disponível em:
http://www.weebly.com/uploads/6/3/3/1/6331706/surangama_new_translation.pdf
Este é um exercício de tradução, voltado para o estudo, sem intenção lucrativa ou monetária.
CAPÍTULO 2
A localização da Mente
A.
Ananda
propõe que a mente está no corpo
’Homem Honrado pelo
Mundo”, Ananda disse para Buda, “As dez classes de seres[1] em todos os mundos
acreditam que a mente consciente reside no corpo; e conforme eu me lembro dos
olhos azuius de lótus daquele-Que-Pode-Vir-A-Ser, eu sei que eles são parte da
face de Buda. Ela é claramente uma parte de seu corpo. É evidente que os órgãos
físicos que correspondem aos quatro tipos de objetos perceptíveis[2] são parte de minha faze e,
por isso, minha mente consciente, também, é certamente encontrada em meu
corpo”.
Buda disse para
Ananda, “Agora, enquanto você sente no Caminho do Darma Daquele que Pode Vir a
Ser, você pode observar o bosque do príncipe Jetri. Onde está o bosque?
“Este maravilhoso e
sagrado caminho de Darma, com muitas de suas histórias, Honrado Pelo Mundo,
está no Jardim do Benfeitor dos Orfãos e Sem Filhos, e o Bosque do Príncipe Jetri
está fora do sagão”.
“Ananda, qual é a
primeira coisa que você vê do lugar que você ocupa no pátio”?
“Homem Honrado pelo
Mundo, aqui do pátio olho em primeiro lugar para Aquele-Que-Virá-A-Ser. Posso
ver, também, uma grande assembleia. Daí,olho mais além e vejo o bosque no
parque”.
“Por que isso, Ananda?
Por que quando você olha para fora você pode ver o bosque no parque”?
“Homem Honrado pelo
Mundo, já que as portas e janelas deste belíssimo pátio foram abertas, posso
ver o pátio e ainda ver em distância”.
Buda disse para
Ananda: “É desse modo como você disse. Alguém que esteja no pátio pode ver
longe no bosque e parque quando as portas e janelas estejam abertas. Agora,
pode uma pessoa que esteja no pátio não ver Buda e, ainda assim, ver o lado de
fora do pátio”?
Ananda respondeu:
“Isso não seria possível, Homem Honrado pelo Mundo. Não seria possível estar no
pátio e ver o bosque e as fontes e não ver Aquele-Que-Virá-A-Ser”.
“Ananda, é a mesma
verdade contigo. Você tem inteligência para entender a tudo perfeitamente. Se
sua mente, que é clara em entendimento, estivesse dentro do seu corpo, então a
parte de dentro do seu corpo seria o que sua mente entraria primeiro em contato
e teria conhecimento. Existem seres que veem dentro de seus corpos antes mesmo
de observar as coisas do lado exterior[3]? Mesmo que eles não
consigam ver seus corações, fígago, intestinos ou estômagos, eles podem ao
menos detectar o crescer de suas unhas e cabelos, a torção dos nervos e o
latejar de seus pulsos. Por que, então, você não é capaz de ver essas coisas?
E, desde que sua mente não é por definição visualmente cognoscente sobre o que
acontece em seu corpo, como ela pode ter conhecimento sobre o que acontece fora
do corpo? Assim, você pode saber que quando você diz que é a mente que é
consciente e faz distinções é a que reside dentro do corpo, você sabe que isso
é impossível”.
B.
Ananda
propõe que a mente reside fora do corpo
Ananda se curvou e disse para Buda:
“Agora que ouvi Buda (Thus-Come One)
explicar o Darma desse jeito, compreendo que minha mente deve estar localizada
fora do meu corpo. Por que digo isso? Por exemplo, uma lâmpada acesa em um
quarto certamente iluminará primeiro o interior do quarto, e, depois, sua luz
irá brilhar através da porta e alcançará os acessos do pátio além do quarto. Já
que os seres não veem dentro do próprio corpo mas apenas veem pelo lado de
fora, os seres se assemelham à lâmpada caso ela fosse posicionada fora do
quarto, e, daí, ela não poderia brilhar sua luz dentro do quarto. Este
princípio é perfeitamente claro e além de qualquer dúvida; ele conforma o
último ensinamento de Buda – e, por isso, não pode estar errado, não é[4]?
[1] NA parte 9.2 abaixo, o
Buda descreve doze tipos de seres conforme a maneira de seus nascimentos.
[2] Olhos, orelhas, nariz e
língua, correspondendo respectivamente aos objetos visíveis, sons, odores e
sabores. O quinto par – o corpo e os objetos do toque – será incluso.
[3] Conforme os ensinamentos
budistas, a faculdade cognitiva age em conjunto com a faculdade da visão no
processo de percepção visual dos objetos. A faculdade da visão sente o objeto e
a mente reconhece o que ele é.
[4] Nesta passagem, Ananda
oferece uma segunda proposição e ele leva adiante por sua própria vontade que é
muito similar à primeira proposta por Buda.